5.7.09

Vazio

Não ando com vontade de escrever
Fujo a mil pés dos sonhos que me embalavam ao adormecer
Leio sempre que posso, o máximo que posso
Dedico-me ao trabalho o máximo que me permito
Fujo de conversas deprimentes
Fujo das conversas em geral
Fujo, ausento-me de quem... por rotina fala mal
Fujo de tudo!
E se algo me impoem... fico danada!

Ando brutalmente sensível
A precisar do meu espaço
Por automatismo a minha já velha capa rigida
Ergue-se, tapando-me, protegendo-me dos bichos
que de noite teimam em preocupar-me, assustar-me
Quebrando os supostos sonhos que antes me embalavam
e que agora no meio de pesadelos não consigo lembrar-me

Vazio

3.7.09

Decode











How can I decide what's right?
When you're clouding up my mind
Can't win your losing fight...
All the time…


The truth is hiding in your eyes
And its hanging on your tongue
Just boiling in my blood
But you think that I can't see
What kind of man that you are
If you're a man at all…
Well, I will figure this one out...
on my own

(I'm screaming "I Love You So...”)

(But my thoughts you can't decode)


How did we get here?
I use to know you so well
How did we get here?
Well, I think I know…

Do you see what we've done?
We're gonna make such fools of ourselves ...

There IS something
that I SEE in YOU
It might kill me
I want it to be true



Music by: "Decode" - Paramore


Pic: Twillight

27.6.09

MAD II

onde estás, como estás e o que se passa contigo?
nunca nos intervalos anuais sem o teu contacto me senti assim...
preocupada...

porque me ligaste?
porquê assim?
porquê a mim?
porque depois desapareceste deixando-me sem nada saber?
como?
assim...

Prometeste-me que me davas notícias...
que me farias saber que estás bem...
Refraseei "Olha que o prometido é devido"...
disseste que não foste tu que o disseste...
mas riste-te...
reconhecendo algo nosso...

Espero que a frase te recorde o Nicolau da Viola
e te lembre que depois da chuva vem o sol
e no meio do tempo o arco-iris...

Adoro-te mano

25.6.09

carvão

... e se disseres que me esqueço
sabe que
Nunca!
... o meu coração é dotado de um lápis continuo anotador
... Já o meu cérebro filtra após a dor

... e se disseres "já não me tens aí"
pois, sabe que
Nunca!
... o meu peito mesmo pequeno é dotado de elásticos de amor
... com o cérebro encolhe, mas incha com a ajuda do lápis anotador

... e se me disseres que desistes
pois, sabe que
... o lápis também pica, rompe e nem o cérebro filtra a sacanagem do pressuposto doce lápis continuo anotador


mudaria de lápis ou até deixaria de o afiar...
mas só ele escreve, moldado e criado com o meu amor
e afiado é quando escreve com todo o seu esplendor...

21.6.09

Após "Amanhecer"

Estou aqui mas nem tanto
Vidrei-me em contos fantásticos cheios de amor
Voltei a sentir-me adolescente por encantamento
por entregas puras, sem perguntas, com luta e fulgor
… e soube-me bem…
Refugiei-me em algo não meu…
Não me pus em comparações…
Vivi e reencontrei o meu desejo
Sem nunca pretender retirar lições…
Agora não começo do zero…
Mas fechei-me tanto que quase não me sinto

Mas sei o que procuro…
Sei o que me faz correr…
Também sei o que me faz sofrer…

O meu Amor e o meu Ofício

Mas dos dois apenas um me faz sentir viva e sobrevive para além da vida...

AMOR

15.6.09

Frio

Inexplicavelmente estou excessivamente calma tendo em conta o caos em que me encontro.
Não sei se desisti de algo, porque tal como um burro acho que estou a por palas para apenas olhar em frente. Mas não caminho atrás de nenhuma cenoura... Apenas caminho com pressa para ver se me livro depressa do chão irregular cheio de pedrinhas irritantes.
Arg! Que humor/amor gélido...

11.6.09

Adolescência

Tirando a idade do armário, as birras onde achamos que os adultos (achamo-los velhos então) não nos compreendem, não têm razão. Tirando essa característica que nos faz sentir vitoriosos, corajosos, inconsequentes e com uma enorme falta de raciocínio lógico, como se fossemos imortais e tudo fosse relativo, a nossa capacidade de ver o brilho no mais puro, de nos apaixonarmos como por magia, torna esta fase na segunda mais bonita da nossa vida. É o primeiro beijo que define o intervalo de beleza onde os próximos se irão encaixar e muito dificilmente existirá um outro que o possa ultrapassar.

Se ultrapassar então existirá uma necessidade intrínseca de viver uma nova adolescência, fora do tempo, intemporal, mágica, corajosa e imortal.

10.6.09

Re-Canto(S)


Serpenteando pela estrada ao som de Rob Pattinson, fundindo sons, cores e cheiros, esqueço-me de horários de antibióticos, anti-inflamatórios, moinhas e preocupações. Se a minha cabeça se ocupou de algo foi por osmose com o ambiente romântico que me rodeava. Palácio de conto de fadas, jardins que puxam ao mais puro romantismo, cada canto e recanto um possível e imaginário inesquecível beijo… Quantos já se beijaram ali? Será que ainda existe um canto que se sinta sozinho, virgem, nesta serra que expira amor por todos os seus poros? Um canto que pense “Qual casal enamorado beijará aqui?”. Deverá ser precioso pela sua pureza, pela sua longínqua e desde sempre indiferença. Deverá aparentar ser simples, pobre e tornar-se-á belo, rico, brilhante pelo mais puro amor que nele se encostar. Acredito que esse canto existe… Pergunto-me se algum assim ainda espera por mim, eu que já me encostei em mais do que um canto nesta serra enigmática e que hoje pouco os valorizo, não me lembrando sequer do seu local, apenas de quem me beijou, não como, em que época e nunca do sitio. Irremediavelmente romântica, por muito que o tente esconder, sonho com o mais puro, o mais simples… E deixando-me de sonhos, racionalmente vejo que só complico e é tudo de facto tão linear, tão simples… basta deixar-me sentir e seguir-me… Tola! Tola apaixonada pela paixão e amor na vida!!!
Pic: Skywalker

8.6.09

Vês?

As portadas daquela janela abanam
Ora uma
Ora outra
Ora em simultâneo
É bonito…
aquilo que quase vejo!
Abre uma, abre outra
Ao sabor do vento

Estou sentada no chão
Perninhas à chinês
E olho encantada
O pouco que vejo
De quando em vez

Parada, mole
Inclino a cabeça
para a direita
Para espreitar
mais uma vez

Para a esquerda
Encosto-me
Para a direita
Deleito-me
Embalada ao som de
Era uma vez…

É bonito o que vejo…
É puro o amor que sonho
É maior que o mundo
É terno e doce
É silêncio no horizonte
É calmo e pleno
É nuvens de múltipla cor
Sol azul, Lua laranja
Céu cor de esmeralda
Mar brilho de prata
É solo branco, puro
E dois seres transparentes
A criar arco-íris em cada gesto
A escrever Amor num celestial tecto
A compor musica em cada toque
Uma pauta por cada aproximação
Do mais profundo e terno beijo

7.6.09

Nada

São aqueles momentos em que o mundo parece que pára, que a luz do outro lado da rua me prende, me foca no nada. São esses os momentos em que não penso, não me preocupo, não sonho, não passa nada. São esses onde até as preocupações do mundo, hoje, não me ocupam, não interferem, não me incomodam, não me moem nada.

São esses momentos no nada, que me fazem sentir como se tivesse oito anos, mas desta vez sem medo, sem receio de nada. Na altura a sensação do vazio assustou-me, fez-me questionar a diversão que perderia, fez-me olhar para mim. Hoje, olhando para trás, vejo que me ouvi sem o saber, que em tudo, mesmo nos menos bons momentos, tenho vivido a valer. Nada tem ficado por dizer ou por fazer, tudo tem sido intenso.

Por isso nado no nada, sem medos, apenas um… o da profundidade do mar, o nada mais desconhecido de todos que pode ser tudo.

4.6.09

Parabéns Pai !

Sei que hoje no céu mil e uma estrelas vão-te mimar
Mil e dois anjos vão cantar para ti
Cá de baixo tem a certeza que existem anjos que pensam em ti.

Parabéns Papi!
Feliz 89 anos de ti....

Adoro-te muito :)

30.5.09

Se...

Se me desse ao luxo de ser eu pura, o que faria?

Dançar na rua porque me apetece
Passear sempre de mão dada
Ir para a praia e nadar nua
Galgar as ameias de um castelo

Namorar no topo de um monte
Adormecer ao relento sob o olhar da lua
Acordar de manhã iluminada por raios de sol

Vestir-me de branco e passear de barco
Balançar sobre águas limpas divertida
Cair no lago toda vestida
Erguendo-me rindo às gargalhadas

Atirar bolas de neve, rebolar no branco
Tomar um banho quente, enrolar-me na toalha
Aquecer-me junto à lareira, em conversas doces
De se eu fosse uma personalidade quem seria

Andar pela cidade à chuva
Beijar no meio da rua
Com cabelos em madeixas a pingar

Apanhar um comboio porque me apetece
Ir para ali porque é o caminho
Descobrir novas caras, novos mundos
Sem qualquer pressa de chegar

Andar em cavalo em pelo
Parar numa clareira e descansar
Montar o cavalo mais doce e voar
Até aquela casinha lá longe chegar

Estender-me na praia ao final do dia
Sentir a areia quente debaixo do corpo
Adormecendo quase voando
Enquanto o sol me beija os ombros

(aparentemente não parece muito dificil... mas...)

22.5.09

Thanks!

Quem me vê num almoço ou jantar
Quem me vê num café em qualquer lugar
Leva de mim risos e palhaçadas
Trocas malandrecas de olhares e palavras
Numa mistura explosiva de humor subtil
Saídas Naïf, Humor Inglês e Partidas
Trocadilhos a roçar o Burlesco
Risos exponenciados sem palavras
com expressões silenciosas disparatadas

Acima de tudo
Quem comigo está e partilha disparates
Comigo ri a bandeiras despregradas
E relembra-me no final de tudo
Que mesmo que existam lagrimas
Que mesmo que por vezes me ausente

Nasci, vivo e morrerei palhaça

Thank God!


Poucos me conhecem do outro lado
O das lágrimas, tristeza e saudade
Da transparência, romantismo e sonhador
Da doçura, da entrega e da serenidade

Mas também para quê serem muitos a partilhar esse lado?

O > Bem

Existe um mundo paralelo onde a moeda de troca se chama amor, onde só é pobre quem não se dá e entrega, onde a taxa de câmbio não é apresentada em salas de mercados, onde nada se compra, nada se vende, nem se troca... partilha-se quando se sente.

O mercado existe, já dizia o CdaPluma, e também tem as suas flutuações, e acima de tudo nunca fecha, nunca!
Contém nos seus jardins um tesouro a céu aberto, sem cadeados, sem portas de chumbo, grades ou feixes.

O jardim?
O local onde todos passeamos...

O maior tesouro?
O maior bem da humanidade...
O mais brilhante
O mais cintilante e perfeito

A nossa existência, a nossa capacidade de sentir e amar, tudo, todos, sempre.... Inesgotável!


Inevitável:
A existência de mercado negro :S

17.5.09

Custa…

O tendão parte mas dói enquanto rasga
O tronco abre-se a meio rompendo a árvore

Não há palavras…
Mau pressentimento que sinto…
Para mim, apenas em mim…

Bons pressentimentos para alguém...
hoje algures um rebento de árvore nasce

Deixai-me ser egoísta e ficar assim…
por momentos triste…

Tudo passa…
Faz sentido…
Tudo morre, tudo nasce…

16.5.09

As respostas

Todas as palavras que hoje me apetece escrever quase que são obrigadas a passar pelo passador.
Tira as natas, passa o leite... Então, para quê escrever? Se são as natas que me fazem debitar neste blogue com todo o fulgor.

Com o coração e a cabeça em gigante conflito, os dedos continuam a dedilhar o teclado sempre com a interrogação: Publico?

Gostava de entender como me sinto. Se calhar nem é o como me sinto que me deixa desconsertada. Se calhar é o que fazer e não fazer, o ficar mais ou menos aliviada.

Assolam-me questões como prioridades, necessidades da vida. Procura de significados em padrões inquestionáveis que me perseguem. Sinais, tantos, que não entendo...

Tantas perguntas...Sempre com a resposta na ponta da lingua. Mas... as respostas assustam-me pela falta de tomada de decisão e firo-me.


As Respostas:

"Sim. Escreve... e sem passador! Este espaço é teu e não de ti para os outros."

"Sim. Olha para e por ti e segue a tua vida, dá-te espaço e mima-te."

"Sim. Não podes obrigar ninguém a ver o mundo como vês. Todos têm o seu caminho. E se por algum motivo estiveres no meio desse caminho, até o teu silêncio poderá ser importante."

"Sim. O teu coração é gigante, mas não deixes que falte espaço para ti."

"Sim. Não deixes que te façam sentir pequenina. Não o és... de todo"

"Sim. Liberta-te do que te fere. Está apenas e só nas tuas mãos. És prova viva de que o consegues... Sobrevives com brilho à minha ausência fisica e não imaginas o quanto me orgulho disso. Todos os dias demonstras o quanto me amas com o teu sorriso e com o teu amor pela vida. Força meu Amor..."

"Pois se calhar não. Mas não chores... És tão bonita... E se não for nesta, há-de ser numa outra vida."


"E sim, minha filha... Leio-te todos os dias, mesmo quando não escreves... E quando pensas que não estou contigo, toco piano nos teus dedos para te dizer que estou aqui, para te dizer -Não desistas-, para te dizer que te amo, que és a minha vida. Nunca te permitas deixar de acreditar. Porque também eu preciso de ti, para manter-me vivo na tua vida, para continuar a fazer parte do teu caminho, para manter o nosso amor vivo e saudável nos nossos corações, em comunhão e perfeita sintonia como sempre o fizemos."

12.5.09

Quando...

Todos seremos culpados de tudo
Se formos culpados por existirmos
Se a nossa existência é culpa
Então porque existimos?

Se calhar para descobrir
Que Ninguém tem a culpa
Que a culpa somos nós que fabricamos
Para explicar o que não conseguimos

Tem sempre de existir um bode expiatório
Porque assim o exigimos
Porque não nos damos ao trabalho
De procurar a sua origem

Quando te derem um presente, não devolvas, agradece.
Quando te deres, não receies um não, se te deres de coração.
Quando obtiveres respostas não refutes, acredita.
Quando te doer, permite a transfusão de litros de amor
(afinal é o único curativo sem contra-indicações, desde que não contaminado na origem)

O soro da minha verdade
A transfusão de amor contínua
É o elixir da minha vida

11.5.09

Pino

Faz hoje um ano que partiste

Guardei estes dias para ti, para me sentir mais perto de ti, para te homenagear em todos os meus pensamentos mas o mundo quis que a minha mente se entristecesse com tudo menos contigo. O mundo não me deu tréguas, cobrou-me um fim-de-semana de triste, de distância, de incapacidade, de desilusão e de resistência mostrando-me que não sou eu que o carrego, sou sim um dos seus muitos pesos.

Olho para o meu corpo em pé, e percorro-o até aos meus pés. O que falta?
Olho por cima do ombro, e espreito os últimos doze meses. O que fiz?
O que mudou? O que criei? O que não fiz?
O que falta, não sei…
O que fiz, tanta coisa…
O que mudou, o mundo em mim…
O que criei, já me esqueci…
O que não fiz? Ainda vou a tempo de fazer?
E será que vou conseguir?

No ano passado, uns três meses após a tua partida sentia que não havia nada que não conseguisse… Sentia-me capaz de amansar leões, conquistar o mundo unicamente com a minha maneira de ser… Forte cheia de brilho…

Hoje questiono-me. Será que tenho de continuar a lutar ou apenas deixar-me levar?

Sei que estás aí… aliás, aqui… há muito que deixei de questionar…

Ficas desiludido se te disser que hoje me sinto fraca? Não triste, fraca…
Pusessem-me hoje um desafio, desistiria mesmo antes de começar…
Parece que ando acompanhada com uma bomba de ar…

Queria que estivesses aqui fisicamente.
Queria encostar a minha cabeça no teu colo, que me mexesses no cabelo e em silêncio me deixasses assim ficar.
Queria que me dissesses que está tudo bem, que quando me faltassem forças para lutar bastava no teu colo descansar.
Queria que me relembrasses tudo o que me ensinaste neste último ano. Não me esqueci, mas nos últimos meses parece que voltei apenas às aulas teoria, esquecendo-me das aulas práticas.

Queria que me dissesses que o meu coração não está enganado… para ir à luta e não ficar sentada.

Porque neste momento é só isso que me apetece. Ficar sentada a ver o mundo passar.
Porque neste momento algo me diz que tenho de por o meu melhor sorriso e lutar.
Porque estou fraca e com o mundo de pernas para o ar, baralhada, sem saber o que procurar...

Se procuro sentada, ou a andar...

10.5.09

... daqui

Aproximação lenta
Reconhecimento da íris
Permissão de entrada para um abraço

Encontro de olhos
Encosto de testas
Ninho de braços
Almofada de ombros
Mimo de cheiros
Num terno e único abraço

Sentar lado a lado
Encosto de testa no regaço
Um beijo de esguelha na testa
Que se fica, prolonga
de olhos fechados
Enchendo de beijos, de abraços
todos os pensamentos
Afastando por momentos
todas as guerras
Apaziguando no silêncio
todos os combates

Com mimo
Sem necessidade de permissão
Um aninhar no colo
Brincando em silêncio
Em carícia
fios de cabelo
Contornando em reconhecimento
de olhos fechados
maçãs do rosto
Sobrancelhas, recorte de lábios
Velando por um sono
Em paz, aninhado, protegido, descansado…

Abraço-TE...

9.5.09

Céu estrelado

A duas mulheres cheias de garra
Que resolveram partir no mesmo dia
Que mostraram ao mundo o que é coragem
Que a vida se faz de sorrisos e de alegria

Mesmo quando a vida se torna madrasta
Relembrando-nos nos nossos maus momentos a sua energia

Brindo às duas…

Por nos relembrarem o que é lutar
Por nos mostrarem o que é importante
Por serem bonitas e gigantes

A vossa estrela brilhará para sempre no coração de quem vos ama

8.5.09

(continuação) ou não?

… é porque se calhar não era para escrever…
Certo?
O que vi e senti, foi para mim e não para os outros.
E até mesmo isso, de certo não quererias que tivesse visto ou sentido.
Então porquê partilhá-lo?
Certo?

A ausência de vontade de escrever, foste tu…
Para que não me pudesse arrepender por corromper a tua imagem…
Aquela imagem que por amor abraço mesmo com dor.
Aquela imagem que mais ninguém compreenderia e se prenderia esquecendo o resto da tua vida, todo o teu fulgor.

Sim pai…
Estás certo, mais uma vez...

Mas acredita… Por muito que me sinta forte e que sinta este último ano brilhante, incandescente de luz e descobertas, olhando-o com um brilho gigante no olhar, cheirando-o intensamente, saboreando-o com mais prazer, tocando tudo como se fosse a primeira vez, como se todos os meus sentidos duplicassem, absorvendo tudo ao par. Por muito que me defenda do estigma do um ano, estes dias moem em countdown até ao dia onze deste mês. Como se estivesse em trabalho de parto… sempre na esperança de que com a passagem destes dias me ultrapasse, renasça outra vez…

5.5.09

Amanhã

Vou fazer como habitualmente faço. Começo com uma série de questões, deambulo em palavras, deixo de me questionar das primeiras questões, que entretanto deixam de ter importância com o aparecimento de novas questões do seu resultado. É nesse momento em que começo a falar contigo, é esse o momento em que perguntando automaticamente recebo a resposta. É nesse momento que me apercebo que as coisas são verdadeiramente simples e que mil perguntas não se resumem a mil respostas, mas sim a uma única resposta. É nesse momento que satisfeita com o resultado me pergunto sempre: Será que fui eu que escrevi? Será que escrevi sozinha?

No outro dia escrevi sobre o limbo, carros funerários e ambulâncias, como se a exorcizar os meus sentimentos, em busca de sossego. Se resultou? Hoje quando uma ambulância passou por mim, achei que sim.

É por isso que hoje escrevo, numa nova tentativa de expor o que me fere, e que me fere faz amanhã um ano. Os únicos momentos do meu pai que me fazem sentir verdadeiramente triste. O primeiro dia dos seus últimos dias antes de partir. Mórbido ou não, é necessário. Relembrá-los com a esperança de me deixarem triste apenas e só mais uma vez. Imprescindível para cumprir a sua sempre vontade: Relembrá-lo bem e feliz.

Entretanto com as mãos apoiadas na base do computador estico os dedos sobre o teclado, olho para o brilho que sai do monitor como se a arranjar coragem para escrever…

Tenho o dedo golpeado por vidros partidos

A Joana, como estará a Joana…

E a tia Maria Helena, como estará…

Vou dar uma volta e já venho…


Volto… não me leio

Escrevo… Já alguma vez mencionei que é no meio de uma divisão supostamente fria, que escrevo? Tenho escritório, espaço na sala, mas é na cozinha que escrevo, trabalho nos meus exceis, organizo as minhas fotos e me envolvo nos meus projectos. Manias…

Vou comer…

Escrevo amanhã...

4.5.09

Quando a chuva passar

"Pra que falar?
Se você não quer me ouvir
Fugir agora não resolve nada...

Mas não vou chorar
Se você quiser partir
Às vezes a distância ajuda
E essa tempestade
Um dia vai acabar...

Só quero te lembrar
De quando a gente
Andava nas estrelas
Nas horas lindas
Que passamos juntos...

(...)

Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela
E veja: Eu sou o Sol...
Eu sou céu e mar
Eu sou seu e fim
E o meu amor é imensidão..."

Ivete Sangalo

3.5.09

Ser mãe


Amor de Mãe

O teu parto não foi simples.
Entre anestesia e cesariana não soube qual seria a sensação de nasceres de dentro de mim. Soube que te tiraram dentro de mim, ouvi o teu choro mais ao longe, apareceste em segundos já embrulhada e com um gorro na cabeça, e mostraram-te sem te porem no meu colo, dizendo-me: “Aqui está a sua filha. É uma bela menina, quase parece ter um mês”. Depois lembro-me de pouco… No recobro, ouvia um choro e disse à enfermeira que era a minha filha. Garantiu-me que não era e teimei que eras tu, e não outra criança como ela afirmava. Saiu da sala e voltou contigo como se carregasse uma toalha de praia enrolada debaixo do braço. Eras tu, cheia de fome… Afastou-me a bata, colocou-te no meu peito e disse-me para te dar de mamar. Perguntei:
- Como?? Não sei como fazer…

E de um momento para o outro já te saciavas, sem eu nada fazer, enquanto te olhava e me perguntava quem eras tu…

Quem eras tu que me fazias ser de uma maneira diferente
Quem eras tu que de repente mudavas a minha vida
Quem eras tu que saíras das minhas entranhas e que me fazias olhar-te, cuidar-te e proteger-te como se não houvesse mais nenhum dia pela frente.

E passaram-se horas, dias, semanas, meses e anos e o olhar com que te olho hoje é mais intenso e mais apaixonado que ontem, que há uma semana, há um mês e há já cinco anos.

A sensação de ser mãe é assim, amar em crescente, mas em constante lua cheia, num brilho intenso de sol que nunca é demais, que nunca queima.

Ser mãe é compreender o amor da nossa mãe, que nos permitiu por nos dar vida, saber e sentir como é grande o seu amor por nós.

Olhei para ti, mãe e perguntei-me se o teu amor por mim era assim, maior…
Olhei para a nossa menina e comentei-me “Que pergunta tão sem sentido”.
Amor de mãe não se explica, não se quantifica, é infinito, maior que qualquer coisa que se explica, maior que o universo.

Para ti mãe, que és a mãe mais bonita, mais dedicada, mais querida e mais forte do universo:

Um FELIZ DIA DA MÃE !!!

30.4.09

I Wished...

Queria poder escrever sem expor tanto de mim…
Mas também queria utilizar todas as palavras que se atropelam na garganta
sem subtis mensagens, as entrelinhas que ainda protegem a minha essência

Queria mandar abaixo este blogue para mais ninguém saber de mim, assim…
Queria ter a capacidade de o guardar vivo e intacto na minha lembrança
Ter a coragem de fazer “delete blogue” com a simples mensagem:
“Fui!!! Obrigado a todos aqueles que me fizeram sentir que faço diferença”

Queria…
Mas mesmo sem a capacidade de nos últimos tempos escrever como me sinto
Não consigo…

Este canto faz parte de mim…