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11.5.09

Pino

Faz hoje um ano que partiste

Guardei estes dias para ti, para me sentir mais perto de ti, para te homenagear em todos os meus pensamentos mas o mundo quis que a minha mente se entristecesse com tudo menos contigo. O mundo não me deu tréguas, cobrou-me um fim-de-semana de triste, de distância, de incapacidade, de desilusão e de resistência mostrando-me que não sou eu que o carrego, sou sim um dos seus muitos pesos.

Olho para o meu corpo em pé, e percorro-o até aos meus pés. O que falta?
Olho por cima do ombro, e espreito os últimos doze meses. O que fiz?
O que mudou? O que criei? O que não fiz?
O que falta, não sei…
O que fiz, tanta coisa…
O que mudou, o mundo em mim…
O que criei, já me esqueci…
O que não fiz? Ainda vou a tempo de fazer?
E será que vou conseguir?

No ano passado, uns três meses após a tua partida sentia que não havia nada que não conseguisse… Sentia-me capaz de amansar leões, conquistar o mundo unicamente com a minha maneira de ser… Forte cheia de brilho…

Hoje questiono-me. Será que tenho de continuar a lutar ou apenas deixar-me levar?

Sei que estás aí… aliás, aqui… há muito que deixei de questionar…

Ficas desiludido se te disser que hoje me sinto fraca? Não triste, fraca…
Pusessem-me hoje um desafio, desistiria mesmo antes de começar…
Parece que ando acompanhada com uma bomba de ar…

Queria que estivesses aqui fisicamente.
Queria encostar a minha cabeça no teu colo, que me mexesses no cabelo e em silêncio me deixasses assim ficar.
Queria que me dissesses que está tudo bem, que quando me faltassem forças para lutar bastava no teu colo descansar.
Queria que me relembrasses tudo o que me ensinaste neste último ano. Não me esqueci, mas nos últimos meses parece que voltei apenas às aulas teoria, esquecendo-me das aulas práticas.

Queria que me dissesses que o meu coração não está enganado… para ir à luta e não ficar sentada.

Porque neste momento é só isso que me apetece. Ficar sentada a ver o mundo passar.
Porque neste momento algo me diz que tenho de por o meu melhor sorriso e lutar.
Porque estou fraca e com o mundo de pernas para o ar, baralhada, sem saber o que procurar...

Se procuro sentada, ou a andar...

3.5.09

Ser mãe


Amor de Mãe

O teu parto não foi simples.
Entre anestesia e cesariana não soube qual seria a sensação de nasceres de dentro de mim. Soube que te tiraram dentro de mim, ouvi o teu choro mais ao longe, apareceste em segundos já embrulhada e com um gorro na cabeça, e mostraram-te sem te porem no meu colo, dizendo-me: “Aqui está a sua filha. É uma bela menina, quase parece ter um mês”. Depois lembro-me de pouco… No recobro, ouvia um choro e disse à enfermeira que era a minha filha. Garantiu-me que não era e teimei que eras tu, e não outra criança como ela afirmava. Saiu da sala e voltou contigo como se carregasse uma toalha de praia enrolada debaixo do braço. Eras tu, cheia de fome… Afastou-me a bata, colocou-te no meu peito e disse-me para te dar de mamar. Perguntei:
- Como?? Não sei como fazer…

E de um momento para o outro já te saciavas, sem eu nada fazer, enquanto te olhava e me perguntava quem eras tu…

Quem eras tu que me fazias ser de uma maneira diferente
Quem eras tu que de repente mudavas a minha vida
Quem eras tu que saíras das minhas entranhas e que me fazias olhar-te, cuidar-te e proteger-te como se não houvesse mais nenhum dia pela frente.

E passaram-se horas, dias, semanas, meses e anos e o olhar com que te olho hoje é mais intenso e mais apaixonado que ontem, que há uma semana, há um mês e há já cinco anos.

A sensação de ser mãe é assim, amar em crescente, mas em constante lua cheia, num brilho intenso de sol que nunca é demais, que nunca queima.

Ser mãe é compreender o amor da nossa mãe, que nos permitiu por nos dar vida, saber e sentir como é grande o seu amor por nós.

Olhei para ti, mãe e perguntei-me se o teu amor por mim era assim, maior…
Olhei para a nossa menina e comentei-me “Que pergunta tão sem sentido”.
Amor de mãe não se explica, não se quantifica, é infinito, maior que qualquer coisa que se explica, maior que o universo.

Para ti mãe, que és a mãe mais bonita, mais dedicada, mais querida e mais forte do universo:

Um FELIZ DIA DA MÃE !!!

11.1.09

Reconfortante


É reconfortante sentir que aquilo que criamos com amor é sentindo com amor por aqueles que nos amam.

Escrevi um livro sobre a história de vida do meu pai e dei-o pelo natal à minha mãe.

Criei-o com o objectivo inicial de manter viva a intensa vida dele nos nossos corações e de nos relembrar todos os dias, ou quando assim o precisassemos, tudo aquilo que nos ensinou.

Hoje, vejo que este livro é muito mais do que este primeiro grande objectivo...
É um objecto vivo que não foi escrito apenas a duas mãos...
Hoje sinto que as minhas mãos foram apenas um canal, que transpos para o teclado em doces palavras e recordações, mensagens e emoções, tudo aquilo que o meu pai me ía segredando ao de leve no meu coração.

É um livro que escrito a quatro mãos para dois pares de olhos encantadores o saborearem (a minha mãe e mais tarde a minha princesa), acabou, por admiração, por ser um motivo de reunião em alegria dos familiares e amigos que partilharam ou admiram a sua história de vida.

Mais uma vez o meu pai junta a família e os amigos, da mesma forma que o fez no dia da sua partida, como se a mandar novamente sinais de "ei! é isto que é importante... aproveitem a vida!"

Sinto-me a transbordar de ternura por todos os que se juntaram nestas últimas semanas para celebrar e recordar com sorrisos uma grande vida.

Beijos

17.10.08

A Copa

Em todos os nossos locais temos momentos, de todos eles memórias.

Da sala o aconchego e sobretudo o orgulho do meu pai nela. Dizia-me “Li estes livros todos. Duvido que algum dia os leias”. Olhava prolongadamente para os quadros e passeava-se por ela. Mas a televisão que durante muitos anos pouco aparecia por estar socialmente escondida no móvel da televisão, acabou por teimosia ser um dos actores principais daquela divisão.

Do meu quarto, os beijos de boa noite e os momentos de adolescência em que de headphones gigantes punha a música no máximo e sonhava com um namorado que fazia as coisas principescas mais extraordinárias para me encantar.

Do quarto dos meus pais, o refúgio sempre que tinha um pesadelo, o sítio onde jogava uma espécie de andebol com o meu pai, onde líamos revistas e jornais, e local dos doces sorrisos ternurentos e das lágrimas mais tristes, mas sobretudo um local de paz.

Mas há um local que desde sempre tenho boas recordações. A Copa…

A copa onde comíamos por sermos apenas três e não justificar o trabalho de comer na sala de jantar. Não são só lembranças de refeições, são lembranças de conversas, são lembranças de reunião, numa divisão que sempre encantou pela luz, pela paisagem esverdejante que torna a janela num quadro, que encanta mesmo quando chove, quando faz frio, quando anoitece e sobretudo das muitas vezes que há fogo de artificio no alto do parque. Esta copa tem algo de especial… Por alguma razão que não sei explicar… No dia em que o meu pai partiu, o que começou por ser o local de almoço para cinco, tornou-se rapidamente numa sala de estar para uns doze. Se fomos para a sala? Penso que sim, mais para o fim do dia. Continuo a passar mais tempo lá do que em qualquer outro canto da casa, mesmo que o quarto dos meus pais ou a sala me aconcheguem. E ainda ontem, depois do jantar do meu aniversário lá estava eu e 3 das minhas meninas lindas sentadas em doce cavaqueira à volta da mesa, em reunião, como parece ter sido sempre…


À copa!

15.10.08

O melhor presente



Hoje agradeço ao mundo e a Quem faz tudo ter sentido
Que me faz olhar enternecida e maravilhada
Que me mostra sempre o lado doce da vida
Que me permite viver sempre apaixonada

Hoje agradeço Àquele que decide
os encontros e desencontros
o momento certo
o tempo do nosso olhar
a atenção num qualquer lugar
a magia das sensações
e nos apresenta o verbo Amar

Hoje agradeço-Lhe o presente de ontem
que é presente hoje e para toda a eternidade
O Amor dos meus pais


Ei… Papi! conto contigo logo à noite para me ajudares a soprar as velas dos nossos 34 anos.



Pic: skywalker

30.9.08

Truz! Truz!

Hoje os teus olhos azuis fizeram Truz! Truz! à minha porta...

Hoje a lembrança dos teus olhos azuis raramente tristes
trouxeram à tona a saudade gigante que em mim existe

E senti-me por momentos igual à tristeza dos teus olhos
nos meus olhos castanhos que raramente estão tristes


Num momento apenas nosso, onde olho para dentro de mim e aguardo que me digas:

"Vês? É disto que não quero que te lembres e se por um algum acaso te lembrares, que seja para perceberes que esses pequenos momentos tristes que tive, foi por sentir sem o saber, que a terra já não era o meu o lugar. Agora, deste lugar, já não preciso de esperar pelo fim do dia para te encontrar. Vejo-te durante o dia, aconchego-te a roupa à noite, apareço para te afuguentar os sonhos menos bons e, sem o saberes, para te aconselhar. Eu sou o teu coração e os meus olhos apenas estão tristes, raramente tristes como dizes, nunca por desilusão, mas por ver que por algum motivo o teu coração, onde habito, fica apertado. Não deixes o coração apertar por mim, porque eu estou aqui...
Não te esqueças...
Ninguém merece as tuas lágrimas...
De ti o mundo quer sorrisos, que ilumines salas, enchas espaços frios e vazios.
Eu apenas quero ser um dos grandes motivos para a existência constante desse teu lindo sorriso. Já te disse que tens um sorriso bonito?"

Foste tu ou eu que escrevi?

29.8.08

A caminho...


Voltei ao bichinho da genealogia mas de uma forma diferente. Sem pai para mostrar as minhas conquistas e fazer um brilharete, sem família que sinta o que sinto da forma intensa que sinto.


Voltei ao bichinho por mim e para mim, sem qualquer objectivo final apenas o de sentir o caminho. Fazer o meu percurso, aprendendo sentindo o caminho dos meus ascendentes.


Voltei ao bichinho investigando história, contos e lendas fazendo uma festa e um urra! de vitória com qualquer novo dado adquirido. Mas a festa de arromba é quando me reconheço em traços bem ténues, nas características e vida dos meus ascendentes desconhecidos.

Estranho, mas fascinante...


Faço esta viagem em mim ao mesmo tempo que preparo a minha viagem de reencontro com uma investigação exaustiva que me tira horas de sono. Não quero ir visitar igrejas, catedrais ou outros locais de interesse cultural ou turístico. Quero ver onde nasceram, caminhar nas ruas que percorreram, inspirar o mesmo ar, sentir os mesmos cheiros, alimentar-me das mesmas comidas. Quero sentir o que sentiam. E ontem, no caminho para casa, ao pensar na viagem de daqui a uns dias, o que me completou entre locais a visitar, ruas a percorrer, foi a imagem de mim deitada no chão de um vale, no meio do nada, com as mãos a sentir a terra, a olhar para o céu, inspirando e vendo as serras.




25.8.08

Vazio da casa saudade

Não sei se foi o fotógrafo, o deitar-me tarde dias seguidos, sem descanso diário, o dar por mim hoje a ver nascer o dia, sem ter dado pelo tempo passar. Não sei se é do cansaço da intensidade destes últimos dias, mas os dias dez e onze voltaram a mexer em mim, a tocar-me, revivendo em flashes os únicos momentos que teimo em não me recordar. Digo a boca cheia que não estou triste, e não estou, muito pelo contrário, que até nem saudades sinto, porque te sinto sempre em mim, mas hoje o nascer do dia fez-me engolir apressada a palavra saudade. Sinto, muitas... tantas que se me torna impossível identificá-las.

A saudade de ti é uma casa em mim plenamente habitada. Vives em mim e se sais para dar uma volta, o vazio da casa saudade mostra-me o quanto me fazes falta.

Mas não te preocupes, estou bem, com rumo e vontade de percorrer o mundo, com um sorriso sentido na face. Apenas fico apreensiva quando sais sem dar cavaco a ninguém. O que vale é que as tuas voltas são sempre curtas. Love U

9.7.08

Obrigada

Um dia, há já muitos anos, a folhear um dos muitos livros antigos do meu pai encontrei uma folha dactilografada num papel fino dobrado em quatro. Desdobrei cuidadosamente o papel que de tão fino colocava as letras em relevo e descobri um poema em françês. Perguntei-lhe o que era e respondeu-me que era o poema de uma das músicas mais belas de sempre. Não duvidando nunca do seu gosto, pus-me a ler e a tentar entendê-lo com o meu fraco e ainda iniciático francês. Agarrou no disco de vinil e pos a música a tocar no gira-discos. Para uma miúda de tão pouca idade, entender tanta dor e vê-la como bela era inatingível. Mas adorava ouvir os érres carregados de emoção e a música de alguma forma me prendeu, tanto que ainda hoje me lembro de cor de grande parte do poema.

Hoje ao atravessar a ponte Vasco da Gama debaixo de um céu estrelado e com a minha Lisboa resplandecente e angelicamente iluminada ao fundo, mudei de estação de rádio e em perfeita sintonia com os sentimentos que me inundavam e em jeito de homenagem ao homem mais luminoso do mundo, 'Ne me quitte pas' começou a tocar. Hoje, vinte anos mais velha, entendo-a, sinto-a e acho-a bela. Hoje, acho-te mais belo que nunca, por te deixares tocar com tanta ternura.

Obrigada por me mostrares mais uma vez e de uma forma tão especial que o amor é o maior valor.

Obrigada por frisares que não é defeito ser transparente.

Obrigada pelo teu eterno amor...


“Não me deixes...
É preciso esquecer
Tudo pode ser esquecido
que já tenha passado

Esquecer os tempos
dos mal-entendidos
e o tempo perdido
tentando saber como

Esquecer as horas
que às vezes mataram
com sopros de porquês
a última felicidade

não me deixes… não me deixes… não me deixes…

Eu te oferecerei
Pérolas de chuva
Vindas de países
Onde nunca chove…

Escavarei a terra
Eu escaparei à morte
Para cobrir o teu corpo
De ouro e de luzes

Eu Criarei um país
Onde o amor será rei
Onde o amor será lei
Onde tu serás rainha

não me deixes… não me deixes… não me deixes…

Não me deixes
eu te inventarei
palavras absurdas
que compreenderás…

Eu te falarei
daqueles amantes
que viram de novo
os seus corações ateados

Eu te contarei
A história daquele rei
Morto… por não ter podido
te reencontrar

Não me deixes… Não me deixes… Não me deixes…
Quantas vezes não
se reacendeu o fogo?
do ancião vulcão
que julgávamos velho…

Até há quem fale
de terras queimadas
a produzir mais trigo
que o melhor Abril

E quando vem a noite
com um céu flamejante
vê como o vermelho e o negro
se casam…
Para que o céu se inflame

não me deixes… não me deixes… não me deixes…

Não me deixes
Não vou chorar mais
Não vou falar mais
Eu me esconderei ali
para te contemplar
a dançar e a sorrir
para te ouvir a cantar e a rir

Deixa-me ser a sombra da tua sombra,
A sombra da tua mão
A sombra do teu cão

não me deixes… não me deixes… não me deixes…”

BRAVO!

Tradução de "Ne me quitte pás" - Jaqcues Brel

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16.6.08

Estrelinha


Querida estrela
Brilha para mim
ofusca-me de luz
enche-me de amor
toma-me em ti


Abraça-me
aconchega-me
nos teus braços
protege-me
acaricia-me
toma-me em ti


Querida estrela
como estás?


Brilha, brilha
pequena
grande estrela
perto
longe
mas sempre
dentro de mim


Querida estrela
enche-me de luz
faz-me brilhar
faz-me ver
deixa-me tocar-te
mais uma vez



Querida estrela
porque sorris?
[sorrio]

Porque sorrio?!

Porque vejo o teu sorriso
Pisco-te o olho...
Não vês?


Um beijo de boa noite daqui





Pic: meganekodomo

1.6.08

Pequeno anjo caído do céu


Olhando para as molduras em cima da secretária do meu bizavô:


Eu - Então, sabes quem é?

Pequena Lua - Nã...

Eu - É a tua avó Bela... sabes quem é?

Pequena Lua - Não...

Eu - É a mãe do teu pai...

Pequena Lua - Ahn?

Eu - Sim... está no céu também como o avô Manuel

Pequena Lua - Com o avô Manuel? Uhm... Um dia vou para ao pé dele... Mas, quando o meu pai for para o céu, quem fica comigo?

Eu - Ó meu amor... mas ainda falta tanto tempo... olha... quando fores velhinha assim como o avô Manuel, já não estaremos aqui... e vais ver, já nem precisas de nós...

Pequena Lua - Preciso! Preciso!

Eu - Pois... eu entendo-te... eu também preciso do avô Manuel e não o vejo... Mas sei que ele está bem.

Pequena Lua - Já não está doente, não é?

Eu - Pois, já não... Agora está bem e feliz... E está sempre aqui, no meu coração e no teu coraçãozinho para nos acompanhar.

Pequena Lua - Ele disse-me "Olá"

Eu - A sério? Que bom... diz-lhe olá também por mim

Pequena Lua - OLÁ AVÔ!!!!!! viste mãe? ele ouviu... :)


Ontem chorei por saudades de festinhas carinhosas cheias de "És bonita" que mais ninguém sabia fazer tão bem. Chorei por achar que mais ninguém me iria fazer sentir daquele jeito... Bonita para alguém....

Hoje uma pequena Lua ao ver-me despenteada e com ar cansado, passou-me a mão pela cara com meiguice e com o mesmo olhar de admiração que o avô fazia disse-me baixinho e com doçura "Estás bonita..."


29.5.08

Inevitável...

Impossível Sonhar sonhos que há pouco Sonhava
Os sonhos viraram-se do avesso...
Bons ou maus, já não interessa, há sempre um actor principal outras vezes secundário, que faz sempre entradas fantásticas...

Inevitável passear pela rua sem recordar frases ou passagens
Impensável decidir sem me ouvir por dentro e ao lado
Inconcebível um mundo sem brilho, sem um grande amor
Improvável o toque saudoso que afaga, que se sente
Impossível escrever uma qualquer palavra sem destinatário

Imaginável tudo o que preenche de forma inexplicável
que vira, gira ao contrário tudo o que parece inconcebível,
impossível, improvável...

É inevitável...

25.5.08

Para contar, reviver e eternizar

Estou meio cá, meio lá...
Em ambos os lados pairo
Não sei em que lado estou
Não sei o que vejo
Nem para onde vou

Sinto-me demasiado vazia
Mas tudo em pleno me enche
Sei o que me esvazia
Não compreendo o que me enche
Não sei o que sinto
Não compreendo como me preenche

Aceito o que não compreendo
porque preciso de acreditar
mais sempre mais
sem vontade de acabar
em sonhos, em cheiros
em memórias doces
de sol e de ar

Aceito o que me esvazia
por não conseguir controlar
mais sempre mais
sem vontade de acabar
em saudades de momentos
memórias doces
e histórias reais de encantar

Para contar, reviver e eternizar...

Dançamos


E naquele momento
em que perdida a abracei
em que com ela dancei
em que ao fundo te olhei
Sorri


E dançámos embaladas
sem vontade de parar
E a música tocava
Ternurenta
sem vontade de acabar


Dançámos os três
em duas
para nos tornarmos
Num

E voámos!



21.5.08

Não há...


Não há ninguém igual a ti
Que olhe por mim como tu
Que me afague distante a face
Que ande elegante pela rua
Provocando ciumes ao Sol

Não há ninguém como tu
Que me puxa sem mostrar
Que me diz sempre sem falar
Que me mostra vários caminhos
Ajudando-me a caminhar

Não há ninguém assim
Que me faz querer ser mais
Que me faz sentir e acreditar
Que posso fazer a diferença
Mais, muito mais que os demais

Vou então deixando-me ficar
A aguardar-te nos meus sonhos
Para a tua cara, o teu cheiro recordar
Sentindo-te perto, tão perto de mim
Desejanto não mais deixar de sonhar


Não há ninguém assim
Não há ninguém igual a ti
Não há ninguém como tu



Pic: homigl14

18.5.08

Principe Perfeito

Quero acreditar e luto por acreditar em algo inexplicável e superior que te abraça, protege e acarinha. Agarro-me com todas as minhas forças a uma frase:

"Os anjos estão contentes, surgiu ao lado da lua uma estrela tão brilhante que eles não param de a abraçar"
Rita

Encho-me do inexplicável... mas o meu peito parece querer rebentar... não quero sequer imaginar que não há mais nada, mas eu sinto-me no vazio, como se tivessem arrancado parte de mim.

"Enquanto durar, perdurará uma recordação... bôa!"
Dedicatória do pai à mãe no cruzeiro em que se conheceram "Principe Perfeito"em 1973.

13.5.08

Papi

E agora?
Onde está a mão fria, mas sempre quente, que me acariciava a face em gestos ternurentos e de admiração, com olhos azuis brilhantes, cheios, e palavras doces de "És bonita"?
Sentada ali, à frente de um corpo que não reconheço já como teu, a minha cabeça encheu-se de dúvidas, como em criança, quando voltávamos de festas em casas de amigos e te perguntava a ti e à mãe se me tinha portado bem. Portei? É que sabes... houve momentos ontem onde me senti feliz... E se calhar não devia... Não estava feliz por teres partido, mas feliz por tantos se reunirem em homenagem a ti, reencontrando-se ao fim de trinta e muitos anos ou conhecendo-se pela primeira vez. E que bom é ouvir que tu és uma pessoa excepcional... É que é isso que sinto... Bonito. E foi isso que te disse meu principe, na última vez que soube que me ouviste. Nenhuma palavra ou conjugação de palavras é suficiente para descrever aquilo que és. Sei que sabes que tens imperfeições que para mim sempre foram nulas, inócuas, sem valor... para mim sempre foste o culminar do perfeito... e a única palavra que poderia alguma vez te definir seria AMOR. Sinto-me cheia, preenchida com tudo o que me deste, sinto-me forte mas cada vez mais com mais questões... E hoje mais uma vez perguntei-te se me ouviste, se sentes o que sinto, se estás orgulhoso de mim... É que estou tão baralhada, vazia, feliz, triste e com o "E agora?" a martelar-me o coração de confusão ... sempre me enchi de certezas de amor infinito, sei que o teu amor se prolonga com o meu, mas questões maiores elevam-se e não estás aqui para me responder... e eu sinto-me tão vazia... e esforço-me em pensar que de algum lado me velas, mas não sinto o teu abraço, já não posso ir a correr para ti e encostar a cabeça no teu leito para receber festinhas... sinto-me forte mas tão triste... sinto saudades do teu cheiro, da tua voz, do teu sorriso encantador, dos teus olhos brilhantes cheios de vida...
sinto-te em mim mas tão longe daqui...
sinto tanto a tua falta...

Amo-te Pai

11.5.08

Pai

PAI

EU AMO-TE TANTO

7.4.08

Sem saber como, nem porquê

Abracem-me daqui...
Não sei sequer quem são...
Nem sequer consigo imaginar...
Mas se o cuidam, protegem
se o querem mimar
não tenho outra vontade
que não seja a de vos sorrir
agradecer e abraçar...

No meio desta tristeza que me invade
que teima em tomar conta de mim
Há algo que me aconchega e me enche
com doces e frescas golfadas de ar
cheias de poros de encantamento

Hoje...
Sem saber como, nem porquê
Sem saber quem ou o quê
Sem saber sequer se é possível
de se gostar do que não se vê
sentir o que não se entende
gostar de não perguntar - porquê?
Hoje...
apetece-me dizer sem o entender
- Gosto tanto de vocês....


Obrigada meu anjo

24.3.08

À medida

Foste feito para mim
Desenhado em doces pinceladas
esculpido, recortado a diamante
numa peça perfeitamente emoldurada
Um dia escrevi-te
- Escolhi-te...
Foram os anjos que te enviaram?
Fizeram-te à medida de mim...