14.6.08

Regret?

Não me arrependo das palavras que disse, nem de todos os momentos em que fiquei calada. Hoje aconchega-me a sensação de não ter ficado nada por dizer, por palavras e olhares que no meio do silêncio deixaram a minha boca paralizada.

Mar alto


Descobri que falo contigo sem o notar...

Não, não estou de todo louca...

Mas hoje quando verbalizei no meio conversas com a mãe, a pequena lua e seu pai, a frase "Não é, pai?", sei que sem o notar, sem o prever, sem programar, me dirigia a ti.

Sei que de onde me vez, mesmo que não o note, estás comigo sempre. Que me acompanhas em cada pequeno passo que dou, bom ou mau, sem cara feia, nem expressão "eu avisei-te".

Sei que por vezes me abstraio, que até parece que nem te penso. Mas também sei que nos momentos em que paro e me perco em pensamentos, corpo estático, mente flutuante, em ti e na tua imagem divago em pequenos doces momentos.

No entanto, sem nunca me sentir só, por vezes sinto-me como em mar alto, meio pequenina, meio encantada, mas um pouco perdida...


11.6.08

Tou



Houve uma altura, há uns bons anos atrás, onde quase todos (os da minha faixa etária, é claro...) enchiam cadernos, estojos e afins de "Tou's". Não interessavam os Bolycau's, nem me lembro de os comer, mas de Tou's nem sei bem como, estava cheia deles. Hoje por me sentir baralhada, por pensar em como estou, lembrei-me dos "Tou's". Na altura, os Tou's que mais gostava eram os "Tou apaixonado", "Tou com saudades", "Tou-te a ver". Hoje, agora, se tivesse que escolher os meus "Tou's" escolheria mais outros e adicionaria alguns... É que os anos passam, uns Tou's mantêem-se, uns desaparecem, outros inventam-se:


Tou baralhada
Tou desprendida
Tou preocupada
Tou cansada
Tou desnorteada
Tou fascinada
Tou embasbacada
Tou abandonada

Mas há Tou's que prevalecem e aumentam à medida que os anos passam:
Tou apaixonada
Tou autêntica

E outros que aparecem, assim do nada:
Tou com saudades
Tou a Sentir-te (deixei de ver-te)

Obrigada a tudo e todos os que me fazer "Tar".


Pic: Anónima

8.6.08

Frases que ficam X - e Xtra

Nestas últimas semanas, houve muitas frases que ficaram:

Mãe - Eu não o sinto como tu...
Pequena lua - Estás linda...
Martim - Posso-te ligar?
Anjo Azul - Ontem deste-me força...
Pluma - Não me tens comentado...
Inez - Estou disponível para tudo o que quiseres...
Psique - O teu silêncio não me preocupa
Russo - Como estás?
Mãe - obrigada fiilha... és tão forte
Pluma - Adoro o teu sorriso
Pequena Lua - Mãe, quero ir dar um beijo ao céu...
Maria - Agora não tenho tempo...
Carl - Força!
ThankfulIB - Não tens de ficar triste porque tem de ser
Maggy - Mas eu vou!
Marisol - O seu pai era uma maravilha. Lembro-me dele a sair da faculdade todo arranjado e elegante...
Diogo R. - O tio Manuel um dia em conversa sobre a probabilidade de voltar a Lourenço Marques, respondeu que nunca mais lá voltava. Lourenço Marques para ele foi bom por um variado conjunto de factores, lugar, pessoas e momentos, que nunca mais se iriam reunir. Não queria estragar as suas memórias.
Miguel - Não estás a ver quem eu sou, mas eu estou a ver quem tu és...
Paulo - Ficámos encabeçados de reunir a família...
Tio Rui - A tua filha? Quero conhecer a minha sobrinha...
Vários Alguéns - Não podes por o fio no caixão, vai a cremar. Não podes por. Mas não podes.
Jorge - Já passei por isto... Digo-te... primeiro vem a tristeza, depois a saudade...

Maiores que as frases, ficaram gravadas atitudes, gestos, expressões e toques, que soubesse eu descrevê-las com a precisão do que me fizeram sentir, as transcreveria... e que doces palavras me sairiam...

Mas há frases que deixo para último, mas que ficarão para sempre impregnadas em mim, como sendo parte de mim, e para as quais pela primeira vez deixo resposta:

Pai - Ninguém merece as tuas lágrimas, nem mesmo eu.
Merecem sim e tu és um dos poucos.

Pai - És bonita...
Porque tu me o fazes sentir...

Pai - Vai, leva a tua mãe, precisa de descansar...
Vou tratar dela como se fosse minha filha

Pai - Perdoa, mas anota...
Já estou cansada de anotar... mas vou continuar...

Pai - (no meio das minhas palhaçadas e com um sorriso) Pareces-te com a gente da minha época
Também o sinto...

Pai - Pelos cabelos e sapatos tiro logo a fotografia de uma pessoa
Ainda bem que sou tua filha, assim o meu brilho ofusca o meu cabelo num reboliço e os sapatos sempre a descambar...

Pai - (em relação às mulheres super bonitas e vistosas) Existem as mulheres de uma vida e as mulheres para mostrar aos amigos
Uhm.... então não quero ser nem vistosa, nem bonita... Mas quero ser sempre o bonita que te enche os olhos, e que com os teus olhos a reluzir me façam sentir bonita.

Pai - Estás sempre a puxar a carroça. Quando é que arranjas alguém que puxe a carroça contigo?
uhhh... esta não sei responder... dependerá apenas de mim?

Pai - Não sei porquê, mas gosto desta miúda (em relação à Kylie Minogue numa entrevista em Portugal há já vários anos)
Eu também, mas nem tanto pela música dela, mas pela pequenina low profile, cheia de estilo e garra.

Pai - Já não posso ouvir essa rádio! Ainda bem que vai acabar...
Tivesse eu na altura te dado ouvidos...

Pai - Devias ir para as artes. (Anos mais tarde) Devias ter ido para as artes...
Será que ainda vou a tempo? É que até acho que levo jeito...

Pai - Está tudo tão diferente...
Pois está... Mas tens uma neta linda...

Pai - O pum é a alegria da família!
Com esta só me apetece rir... o mundo está a precisar de comer mais feijoada, precisa de uma grande e valente gargalhada...

7.6.08

Acho que sim...


Esta noite, foi a primeira desde há quase um mês, que dormi como não dormia há já muito tempo. O que mudou? Não sei... Talvez a ideia do começo de uma semana de férias sem qualquer destino marcado, sem obrigações nem preocupações com ninguém, com o aviso em replay à navegação de "não me chateiem" e "deixem-me ir com a maré e fazer o que me apetece", seja a razão. Esta é a semana do "dêem-me espaço", mas também a semana do "estejam preparados para o que me apetecer", porque o meu estado de espírito tem estado mesmo assim, ora eufórica ora infeliz, ora nervosa ora serena, ora forte ora cheia de fraquezas.


Se me perguntam como estou, não há percentagens que o revelem, porque nem eu própria o sei. Entre o que estou e aquilo que quero estar vão milhões de luz de distância, e como eu não me reconheço em mim, ou se calhar conheço-me cada vez mais, essa questão torna-se numa busca incessante e impossível de responder. Quando tiver resposta, o tempo que passei a analisar o estado de espírito em mim, passa, e aquilo que poderia sentir antes da pergunta, muda quando analiso racionalmente como me sinto. O que senti há um segundo atrás é sempre diferente do que vou sentir e que agora sinto.


Estou bem? Há um bocado acho que sim.



4.6.08

Parabéns

Despi-me das preocupações que não me podiam afligir, não podiam... Programei mentalmente em plena comunhão, sentada com a cara escondida entre as mãos, as preocupações e desalentos, adiando-as para amanhã. Podem esperar. Têm de esperar. O cansaço que suporto em cima dos ombros vai-me permitir dormir sem pensar em mais nada.

Saí da igreja meio despida. Entrei no carro com menos roupa ainda. Cheguei a casa dos meus pais e despi-me por completo. Nenhuma roupa me protegia, nenhuma roupa poderia aconchegar-me tão bem como aquela que vestia. Nada. Eu apenas. E deixei-me levar. Era isto que pretendia... Conseguir de alguma forma me ausentar de tudo o que me fustiga.

Chegou o final do jantar. A mãe foi buscar o teu bolo de anos e a pequena lua disse que queria ir cantar-te os Parabéns ao céu. Cantámos uma vez, quase comecei a chorar, mas a pequena lua com os olhos mais do que nunca a brilhar, fez-me sorrir e festejar. De seguida, cantou sózinha, de uma forma tão doce, no meio de um silêncio de encantar. Não me senti nua, com frio, não pensei em preocupações nem desalentos, senti-me rendida, quente, cheia de amor e com o corpo a brilhar. Porque... o que quero fazer da minha vida, é uma homenagem a ti, à mãe, à minha filha, sempre, contínua.

Parabéns Papi

2.6.08

Luto


Sempre odiei a expressão estar de luto, pela expressão em si e por todos os costumes que a rodeiam. Olhares soturnos, como se de noite escura sem fundo se tratasse. Cores escuras, o preto, que entristessem todos os olhares, já soturnos, e levam-nos a mergulhar num poço de tristeza sem fundo. Continuo a desprezar esses costumes, tentando fazer o contrário. Vesti branco, afasto-me de olhares tristes, sorrio e em passos novos afasto-me de um poço que ouvi alguém falar. Mas descobri que a palavra faz sentido, porque luto com o reconhecimento do que até hoje felizmente me era desconhecido, pelo menos com a intensidade com que sinto. Luto para preservar o sorriso, luto para me reconhecer no meio de algumas lágrimas, luto para me deixar levar em momentos, luto para nunca deixar de acreditar. Porque, afinal de contas, é apenas isso e o amor que me fazem caminhar.


Entretanto... os Jacarandás enchem a cidade de sorrisos, como não poderia deixar de ser. Foste tu, ou fui eu que em sonhos pintei a cidade assim, em homenagem a ti?



1.6.08

Pequeno anjo caído do céu


Olhando para as molduras em cima da secretária do meu bizavô:


Eu - Então, sabes quem é?

Pequena Lua - Nã...

Eu - É a tua avó Bela... sabes quem é?

Pequena Lua - Não...

Eu - É a mãe do teu pai...

Pequena Lua - Ahn?

Eu - Sim... está no céu também como o avô Manuel

Pequena Lua - Com o avô Manuel? Uhm... Um dia vou para ao pé dele... Mas, quando o meu pai for para o céu, quem fica comigo?

Eu - Ó meu amor... mas ainda falta tanto tempo... olha... quando fores velhinha assim como o avô Manuel, já não estaremos aqui... e vais ver, já nem precisas de nós...

Pequena Lua - Preciso! Preciso!

Eu - Pois... eu entendo-te... eu também preciso do avô Manuel e não o vejo... Mas sei que ele está bem.

Pequena Lua - Já não está doente, não é?

Eu - Pois, já não... Agora está bem e feliz... E está sempre aqui, no meu coração e no teu coraçãozinho para nos acompanhar.

Pequena Lua - Ele disse-me "Olá"

Eu - A sério? Que bom... diz-lhe olá também por mim

Pequena Lua - OLÁ AVÔ!!!!!! viste mãe? ele ouviu... :)


Ontem chorei por saudades de festinhas carinhosas cheias de "És bonita" que mais ninguém sabia fazer tão bem. Chorei por achar que mais ninguém me iria fazer sentir daquele jeito... Bonita para alguém....

Hoje uma pequena Lua ao ver-me despenteada e com ar cansado, passou-me a mão pela cara com meiguice e com o mesmo olhar de admiração que o avô fazia disse-me baixinho e com doçura "Estás bonita..."


31.5.08

Miminhos

No meio dos in's parece que renasci
e como uma criança faço questões
não entendo, não me entendem
não quero, mas quero explicações

Já aprendi a custo a gatinhar
Caí... e caio ainda muitas vezes, mas
o rabo fofo encoraja-me a levantar

A única diferença é o sorriso que pretendo alcançar
é as palminhas e miminhos que anseio conquistar

Nesta nova fase... deixei definitivamente de os ganhar...
Não os consigo ver, ouvir, sentir e compreender
Nesta nova fase... sou eu apenas que os tenho de dar...
Sem esperar nada em retorno, apenas esperança e acreditar

29.5.08

Inevitável...

Impossível Sonhar sonhos que há pouco Sonhava
Os sonhos viraram-se do avesso...
Bons ou maus, já não interessa, há sempre um actor principal outras vezes secundário, que faz sempre entradas fantásticas...

Inevitável passear pela rua sem recordar frases ou passagens
Impensável decidir sem me ouvir por dentro e ao lado
Inconcebível um mundo sem brilho, sem um grande amor
Improvável o toque saudoso que afaga, que se sente
Impossível escrever uma qualquer palavra sem destinatário

Imaginável tudo o que preenche de forma inexplicável
que vira, gira ao contrário tudo o que parece inconcebível,
impossível, improvável...

É inevitável...

25.5.08

Para contar, reviver e eternizar

Estou meio cá, meio lá...
Em ambos os lados pairo
Não sei em que lado estou
Não sei o que vejo
Nem para onde vou

Sinto-me demasiado vazia
Mas tudo em pleno me enche
Sei o que me esvazia
Não compreendo o que me enche
Não sei o que sinto
Não compreendo como me preenche

Aceito o que não compreendo
porque preciso de acreditar
mais sempre mais
sem vontade de acabar
em sonhos, em cheiros
em memórias doces
de sol e de ar

Aceito o que me esvazia
por não conseguir controlar
mais sempre mais
sem vontade de acabar
em saudades de momentos
memórias doces
e histórias reais de encantar

Para contar, reviver e eternizar...

Dançamos


E naquele momento
em que perdida a abracei
em que com ela dancei
em que ao fundo te olhei
Sorri


E dançámos embaladas
sem vontade de parar
E a música tocava
Ternurenta
sem vontade de acabar


Dançámos os três
em duas
para nos tornarmos
Num

E voámos!



21.5.08

Não há...


Não há ninguém igual a ti
Que olhe por mim como tu
Que me afague distante a face
Que ande elegante pela rua
Provocando ciumes ao Sol

Não há ninguém como tu
Que me puxa sem mostrar
Que me diz sempre sem falar
Que me mostra vários caminhos
Ajudando-me a caminhar

Não há ninguém assim
Que me faz querer ser mais
Que me faz sentir e acreditar
Que posso fazer a diferença
Mais, muito mais que os demais

Vou então deixando-me ficar
A aguardar-te nos meus sonhos
Para a tua cara, o teu cheiro recordar
Sentindo-te perto, tão perto de mim
Desejanto não mais deixar de sonhar


Não há ninguém assim
Não há ninguém igual a ti
Não há ninguém como tu



Pic: homigl14

18.5.08

Principe Perfeito

Quero acreditar e luto por acreditar em algo inexplicável e superior que te abraça, protege e acarinha. Agarro-me com todas as minhas forças a uma frase:

"Os anjos estão contentes, surgiu ao lado da lua uma estrela tão brilhante que eles não param de a abraçar"
Rita

Encho-me do inexplicável... mas o meu peito parece querer rebentar... não quero sequer imaginar que não há mais nada, mas eu sinto-me no vazio, como se tivessem arrancado parte de mim.

"Enquanto durar, perdurará uma recordação... bôa!"
Dedicatória do pai à mãe no cruzeiro em que se conheceram "Principe Perfeito"em 1973.

13.5.08

Papi

E agora?
Onde está a mão fria, mas sempre quente, que me acariciava a face em gestos ternurentos e de admiração, com olhos azuis brilhantes, cheios, e palavras doces de "És bonita"?
Sentada ali, à frente de um corpo que não reconheço já como teu, a minha cabeça encheu-se de dúvidas, como em criança, quando voltávamos de festas em casas de amigos e te perguntava a ti e à mãe se me tinha portado bem. Portei? É que sabes... houve momentos ontem onde me senti feliz... E se calhar não devia... Não estava feliz por teres partido, mas feliz por tantos se reunirem em homenagem a ti, reencontrando-se ao fim de trinta e muitos anos ou conhecendo-se pela primeira vez. E que bom é ouvir que tu és uma pessoa excepcional... É que é isso que sinto... Bonito. E foi isso que te disse meu principe, na última vez que soube que me ouviste. Nenhuma palavra ou conjugação de palavras é suficiente para descrever aquilo que és. Sei que sabes que tens imperfeições que para mim sempre foram nulas, inócuas, sem valor... para mim sempre foste o culminar do perfeito... e a única palavra que poderia alguma vez te definir seria AMOR. Sinto-me cheia, preenchida com tudo o que me deste, sinto-me forte mas cada vez mais com mais questões... E hoje mais uma vez perguntei-te se me ouviste, se sentes o que sinto, se estás orgulhoso de mim... É que estou tão baralhada, vazia, feliz, triste e com o "E agora?" a martelar-me o coração de confusão ... sempre me enchi de certezas de amor infinito, sei que o teu amor se prolonga com o meu, mas questões maiores elevam-se e não estás aqui para me responder... e eu sinto-me tão vazia... e esforço-me em pensar que de algum lado me velas, mas não sinto o teu abraço, já não posso ir a correr para ti e encostar a cabeça no teu leito para receber festinhas... sinto-me forte mas tão triste... sinto saudades do teu cheiro, da tua voz, do teu sorriso encantador, dos teus olhos brilhantes cheios de vida...
sinto-te em mim mas tão longe daqui...
sinto tanto a tua falta...

Amo-te Pai

11.5.08

Pai

PAI

EU AMO-TE TANTO

7.5.08

Visita-me


Visita-me nesta minha casa inacabada e sempre em ebulição
Onde por vezes as janelas parecem fechadas mas por dentro não
Onde quando escancaradas inundam de luz esta única divisão

Aqui a consciência e a idade da inocência convivem a sós
E sabes? Dão-se...
A consciência organiza o espaço, a inocência dá-lhe calor
A consciência arruma o alvoroço do calor da inocência
O calor da inocência desorganiza o espaço e questiona a consciência do seu valor
Mas a inocência protege-se no espaço e a consciência aconchega-se no seu calor

Visita-me nesta minha casa inacabada e sempre em ebulição
Onde a única porta que nunca se fecha é a do meu coração


Pic:
joneartista

4.5.08

Ponto de interrogação

E pronto!
Mais um ponto de interrogação.
Se tenho dúvidas? Todas...
É sempre mais uma questão...
Sem esperar qualquer grande resposta
Sem querer descobrir o grande mistério
Sem pretender ter sequer uma desilusão
Nem mesmo sequer viver numa ilusão

respiro fundo com atenção
quero saber ou não?
admiro toda a interrogação...
seguida de conclusões certas
sempre sem senãos
para chegar sempre a uma nova questão

No dia em que achar que nada mais me surpreende
No dia que sentir que já não há qualquer questão
Nesse dia... morrerei de solidão

25.4.08

Eles não sabem que o sonho...


Saudades dos idealistas, sonhadores, lutadores de vida...

Não vivi, nunca percebi a intensidade de uma revolução.

Mas tive a sorte de viver do resultado de uma feita de sonhos, ideais e paz.

Dou por mim ultimamente a ver como facilmente nos esquecemos, nos deixamos levar pelos ideais dos outros, nos adaptamos sem questionar, auto-formatando o que parece ser o nosso ideal com frases feitas de outros que um dia colocaram num papel o seu pensar. Tomamos citações ideológicas de outros como se fossem o nosso objectivo, como se fossemos os seus criadores, por parecer bem, por acharmos que assim movemos milhões. Aceito a formatação pelo bem social, pelo equilibrio entre o bom e mau, pela sobrevivência do ser humano. Incomóda-me a auto-formatação, falar, citar e tentar influenciar sobre aquilo que nunca se sentiu. O vestir peles que não as nossas, sem sentir a pele que se veste. Ultimamente vejo-me rodeada disto... De pessoas vestidas de "O Segredo", de cheias de "Vamo lá!", de "Vamo ganhar esta guerra!".... mas... que guerra? A única 'guerra' que pondero é a de uma luta interior, incontrolável e insaciável no sentido de a cada segundo conhecermos um pouco mais de nós próprios, com todas as suas alegrias, desilusões, tristezas e emoções. Sem nos conhecermos, sem nos aprofundarmos não existe um Eu, não existem ideais, não sabemos por que lutar com coração de leão. Sem essa guerra interior nunca saberemos o que é a nossa paz.


Em jeito de homenagem a todos os idealistas e sonhadores que ainda vou encontrando no meu caminho:


Pedra Filosofal - António Gedeão

"Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,

passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança

como bola colorida
entre as mãos de uma criança"


20.4.08

Vácuo


Não queiram saber como me sinto, porque eu própria fujo do que me incomoda a mil.

Poupo-me em auto-análises, afasto-me de tudo, até mesmo dos media, e se algo me começa a incomodar, a fazer-me sentir pequenina, a fazer-me quase chorar, olho para o nada e parada no mesmo lugar, fujo... e no sitio onde os meus sentidos param, não olhando para nada, vejo tudo... milésimos de segundo interrompidos com frases do tipo "Em que pensas?". A meio caminho de volta interiorizo uma frase "Ninguém merece as tuas lágrimas, nem mesmo eu" e assim que aterro respondo: "No meu pai".



14.4.08

Maravilhosa....

Molti mari e fiumi attraverserò
Atravessarei todos os mares e rios
dentro la tua terra mi ritroverai
na tua terra me reencontrarás
turbini e tempeste io cavalcerò
por tornados e tempestades cavalgarei
volerò tra i fulmini per averti
voarei através de relâmpagos só para te ter



Meravigliosa creatura, sei sola al mondo
Maravilhosa criatura, estás só no mundo
Meravigliosa paura di averti accanto
Maravilhoso temor de te ter a meu lado
Occhi di sole bruciano in mezzo al cuore
Olhos de Sol queimam-me o coração
Amo la vita... meravigliosa
Amo a vida... maravilhosa
Luce dei miei occhi, brilla su di me
Luz dos meus olhos, brilha sobre mim
voglio mille lune per accarezzarti
quero mil luas para te acariciar
pendo dai tuoi sogni, veglio su di te
mergulho nos teus sonhos para te velar
non svegliarti, non svegliarti ancora
não despertes, não despertes… ainda


Meravigliosa creatura, sei sola al mondo
Maravilhosa criatura, estás só no mundo
Meravigliosa paura di averti accanto
Maravilhoso temor de te ter a meu lado
Occhi di sole, mi tremano le parole
Olhos de sol tremem-me as palavras
Amo la vita... meravigliosa
Amo a vida... maravilhosa

Meravigliosa creatura, un bacio lento
Maravilhosa criatura, um beijo lento
meravigliosa paura di averti accanto
maravilhoso temor de te ter a meu lado
All’improvviso tu scendi nel paradiso
Inesperadamente, imerges no paraíso
muoio d'amore meraviglioso
morro de amor... maravilhoso




Meravigliosa Creatura
Composição: Gianna Nannini

13.4.08

Igual

Não é por falta de sensações / mas sim por excesso delas
Não é por nada em particular / mas por tudo o que me envolve

É o reduzir-me ao óbvio
sem mais alguma idiota ilusão

É mais o porquê...

porque me acharia eu
simples e banal sobrevivente
sem dificuldades por demais
igual aos demais, às gentes
merecedora de muito mais?

9.4.08

Sobe, sobe...

Percorres montes floridos
Sobes, sobes tão alto
Pareces abraçar o sol
mais longe, mais pequeno
contra o sol, ficas enorme

Sobes, sobes sorrindo
mas a meio páras...
Assustaste-te?
O sol encandeia-te?
Voltas para trás desnorteado...

Desces o monte agora agreste
Tropeças numa flor
transformada em pedra
e cais...

Mas não desistes...
Recordas-te do monte florido
fechas os olhos agora tristes
recordas o caminho que percorreste
e sobes, sempre num sentido
e sobes, sobes tão alto
abres os olhos sorrindo
assim que o sabor do vento
começa a parecer adocicado
assim que a proximidade do sol
começa a aconchegar-te

Sobe, sobe sorrindo
nunca pares...
não te assustes...
abraça o Sol
visto daqui
serás sempre enorme

7.4.08

Sem saber como, nem porquê

Abracem-me daqui...
Não sei sequer quem são...
Nem sequer consigo imaginar...
Mas se o cuidam, protegem
se o querem mimar
não tenho outra vontade
que não seja a de vos sorrir
agradecer e abraçar...

No meio desta tristeza que me invade
que teima em tomar conta de mim
Há algo que me aconchega e me enche
com doces e frescas golfadas de ar
cheias de poros de encantamento

Hoje...
Sem saber como, nem porquê
Sem saber quem ou o quê
Sem saber sequer se é possível
de se gostar do que não se vê
sentir o que não se entende
gostar de não perguntar - porquê?
Hoje...
apetece-me dizer sem o entender
- Gosto tanto de vocês....


Obrigada meu anjo

5.4.08

Há dias...

Perguntas-me se estou bem...
Estou viva
ainda sinto
ainda por aqui ando
e continuo sempre
a lutar por sentir
Mas há dias...
em que me canso
há dias em que
de tudo fujo
para não sentir
Há dias...
em que olho para mim
e vejo-me com vontade
de desistir de tudo o que
me faz sentir...
Limpo-me da adrenalina
injecto-me de anestesia
e deixo-me seguir...
...no nada...
até que os dias passem
e volte a ansear
sentir