25.6.08

Doce sombra


Inexplicavelmente
encho-me de lágrimas, violentas cataratas que me afogam por dentro.

Inexplicavelmente,
por fora sorrio e os olhos que mostro apenas mostram esporádicas lágrimas resultantes de bocejos e falta de dormir.

Inexplicavelmente,
tanto me sinto admiravelmente e radiosamente feliz, como num fragmento e repentino momento o nada e questões impossíveis de responder me assolam em tempestade.

Inexplicavelmente
tanto me sinto feliz como triste.

E é no auge da minha felicidade que a sombra da tristeza cresce e me diz olá com um sorriso.

Não choro... por fora.

Afogo-me por dentro... com um sorriso em resposta à simpatia e graciosidade e grandeza da tristeza.

Porque até ela,
inexplicavelmente,
me consegue fazer, de uma forma que desconhecia, feliz.





Pic: omrx

23.6.08

Sapatinhos vermelhos


Porque com eles, consigo sempre dançar, mesmo que a cabeça já ande no ar, o coração a flutuar...



Pic: Skywalker

20.6.08

Did my heart love 'til now?

Forswear its sight...
For I never saw true beauty 'til this night.


Romeo + Juliet (1996)

Vem...


Olá... como estás?

A vida por aí como está?

Como é? É bonito? Reconheces quem encontras? Viajas para lugares lindos? Vês-me quando queres ou sempre que sentes que preciso? Visitas pessoas e lugares com saudades, ficas triste por não te verem, ou sabes que te sentem sem o pressentirem, sem darem por isso?

Ficas feliz? Ou ficas triste? Sabes gostava que tudo estivesse perfeito, sem maldade e limpo, bonito, para que quando nos visitasses tivesses vontade de voltar mais vezes... É que está tudo triste...

Eu? Fico feliz sempre que sinto que te sinto... Será que esse meu sorriso chega para tornar o mundo para ti, nem que seja por um momento, um pouquinho mais bonito?

Vem, quero por esta casa cada vez mais bonita... Acreditas? Eu sei... :) Sei que onde quer que estejas és a pessoa que mais em mim acredita... e dás-me força para superar a dor da sensação daqueles que em mim não acreditam...



Flashes

Se escrevesse agora tudo aquilo que sinto, me fizeram sentir, tudo o que assimilei, apreendi e analizei, tudo o que me feriu, doeu e me fez questionar nestas últimas 36 horas, chegaria à mesma conclusão do que em flashes confusos e rápidos reconheci agora.

Felizmente a rapidez das sensações, pensamentos e assimilações ultrapassa em alta velocidade a minha capacidade de número de palavras escritas por minuto...

Não quero ter a facilidade de me relembrar um dia, ao detalhe, do volume e intensidade de sensações e pensamentos contraditórios por hora, tal e qual me sinto agora.

18.6.08

Mil vezes

Odeio estes dias, em que até a tristeza implora por um bocadinho mais de espaço... mas não há... o tempo não deixa... e agora, depois de cumprir a minha obrigação de trabalho, obrigação nocturna que me havia prometido fugir a mil, dou por mim a querer esse pequeno espaço, triste ou feliz, não interessa, mas onde encontre um pouco de paz, algumas conversas mudas, pedaços de sonhos soltos para construir um castelo de primavera ou inverno.

Queria falar contigo, mas hoje o tempo não me deixa, o coração por protecção fecha-se, e eu nada sinto...

Mil vezes estar triste...

16.6.08

Estrelinha


Querida estrela
Brilha para mim
ofusca-me de luz
enche-me de amor
toma-me em ti


Abraça-me
aconchega-me
nos teus braços
protege-me
acaricia-me
toma-me em ti


Querida estrela
como estás?


Brilha, brilha
pequena
grande estrela
perto
longe
mas sempre
dentro de mim


Querida estrela
enche-me de luz
faz-me brilhar
faz-me ver
deixa-me tocar-te
mais uma vez



Querida estrela
porque sorris?
[sorrio]

Porque sorrio?!

Porque vejo o teu sorriso
Pisco-te o olho...
Não vês?


Um beijo de boa noite daqui





Pic: meganekodomo

14.6.08

Regret?

Não me arrependo das palavras que disse, nem de todos os momentos em que fiquei calada. Hoje aconchega-me a sensação de não ter ficado nada por dizer, por palavras e olhares que no meio do silêncio deixaram a minha boca paralizada.

Mar alto


Descobri que falo contigo sem o notar...

Não, não estou de todo louca...

Mas hoje quando verbalizei no meio conversas com a mãe, a pequena lua e seu pai, a frase "Não é, pai?", sei que sem o notar, sem o prever, sem programar, me dirigia a ti.

Sei que de onde me vez, mesmo que não o note, estás comigo sempre. Que me acompanhas em cada pequeno passo que dou, bom ou mau, sem cara feia, nem expressão "eu avisei-te".

Sei que por vezes me abstraio, que até parece que nem te penso. Mas também sei que nos momentos em que paro e me perco em pensamentos, corpo estático, mente flutuante, em ti e na tua imagem divago em pequenos doces momentos.

No entanto, sem nunca me sentir só, por vezes sinto-me como em mar alto, meio pequenina, meio encantada, mas um pouco perdida...


11.6.08

Tou



Houve uma altura, há uns bons anos atrás, onde quase todos (os da minha faixa etária, é claro...) enchiam cadernos, estojos e afins de "Tou's". Não interessavam os Bolycau's, nem me lembro de os comer, mas de Tou's nem sei bem como, estava cheia deles. Hoje por me sentir baralhada, por pensar em como estou, lembrei-me dos "Tou's". Na altura, os Tou's que mais gostava eram os "Tou apaixonado", "Tou com saudades", "Tou-te a ver". Hoje, agora, se tivesse que escolher os meus "Tou's" escolheria mais outros e adicionaria alguns... É que os anos passam, uns Tou's mantêem-se, uns desaparecem, outros inventam-se:


Tou baralhada
Tou desprendida
Tou preocupada
Tou cansada
Tou desnorteada
Tou fascinada
Tou embasbacada
Tou abandonada

Mas há Tou's que prevalecem e aumentam à medida que os anos passam:
Tou apaixonada
Tou autêntica

E outros que aparecem, assim do nada:
Tou com saudades
Tou a Sentir-te (deixei de ver-te)

Obrigada a tudo e todos os que me fazer "Tar".


Pic: Anónima

8.6.08

Frases que ficam X - e Xtra

Nestas últimas semanas, houve muitas frases que ficaram:

Mãe - Eu não o sinto como tu...
Pequena lua - Estás linda...
Martim - Posso-te ligar?
Anjo Azul - Ontem deste-me força...
Pluma - Não me tens comentado...
Inez - Estou disponível para tudo o que quiseres...
Psique - O teu silêncio não me preocupa
Russo - Como estás?
Mãe - obrigada fiilha... és tão forte
Pluma - Adoro o teu sorriso
Pequena Lua - Mãe, quero ir dar um beijo ao céu...
Maria - Agora não tenho tempo...
Carl - Força!
ThankfulIB - Não tens de ficar triste porque tem de ser
Maggy - Mas eu vou!
Marisol - O seu pai era uma maravilha. Lembro-me dele a sair da faculdade todo arranjado e elegante...
Diogo R. - O tio Manuel um dia em conversa sobre a probabilidade de voltar a Lourenço Marques, respondeu que nunca mais lá voltava. Lourenço Marques para ele foi bom por um variado conjunto de factores, lugar, pessoas e momentos, que nunca mais se iriam reunir. Não queria estragar as suas memórias.
Miguel - Não estás a ver quem eu sou, mas eu estou a ver quem tu és...
Paulo - Ficámos encabeçados de reunir a família...
Tio Rui - A tua filha? Quero conhecer a minha sobrinha...
Vários Alguéns - Não podes por o fio no caixão, vai a cremar. Não podes por. Mas não podes.
Jorge - Já passei por isto... Digo-te... primeiro vem a tristeza, depois a saudade...

Maiores que as frases, ficaram gravadas atitudes, gestos, expressões e toques, que soubesse eu descrevê-las com a precisão do que me fizeram sentir, as transcreveria... e que doces palavras me sairiam...

Mas há frases que deixo para último, mas que ficarão para sempre impregnadas em mim, como sendo parte de mim, e para as quais pela primeira vez deixo resposta:

Pai - Ninguém merece as tuas lágrimas, nem mesmo eu.
Merecem sim e tu és um dos poucos.

Pai - És bonita...
Porque tu me o fazes sentir...

Pai - Vai, leva a tua mãe, precisa de descansar...
Vou tratar dela como se fosse minha filha

Pai - Perdoa, mas anota...
Já estou cansada de anotar... mas vou continuar...

Pai - (no meio das minhas palhaçadas e com um sorriso) Pareces-te com a gente da minha época
Também o sinto...

Pai - Pelos cabelos e sapatos tiro logo a fotografia de uma pessoa
Ainda bem que sou tua filha, assim o meu brilho ofusca o meu cabelo num reboliço e os sapatos sempre a descambar...

Pai - (em relação às mulheres super bonitas e vistosas) Existem as mulheres de uma vida e as mulheres para mostrar aos amigos
Uhm.... então não quero ser nem vistosa, nem bonita... Mas quero ser sempre o bonita que te enche os olhos, e que com os teus olhos a reluzir me façam sentir bonita.

Pai - Estás sempre a puxar a carroça. Quando é que arranjas alguém que puxe a carroça contigo?
uhhh... esta não sei responder... dependerá apenas de mim?

Pai - Não sei porquê, mas gosto desta miúda (em relação à Kylie Minogue numa entrevista em Portugal há já vários anos)
Eu também, mas nem tanto pela música dela, mas pela pequenina low profile, cheia de estilo e garra.

Pai - Já não posso ouvir essa rádio! Ainda bem que vai acabar...
Tivesse eu na altura te dado ouvidos...

Pai - Devias ir para as artes. (Anos mais tarde) Devias ter ido para as artes...
Será que ainda vou a tempo? É que até acho que levo jeito...

Pai - Está tudo tão diferente...
Pois está... Mas tens uma neta linda...

Pai - O pum é a alegria da família!
Com esta só me apetece rir... o mundo está a precisar de comer mais feijoada, precisa de uma grande e valente gargalhada...

7.6.08

Acho que sim...


Esta noite, foi a primeira desde há quase um mês, que dormi como não dormia há já muito tempo. O que mudou? Não sei... Talvez a ideia do começo de uma semana de férias sem qualquer destino marcado, sem obrigações nem preocupações com ninguém, com o aviso em replay à navegação de "não me chateiem" e "deixem-me ir com a maré e fazer o que me apetece", seja a razão. Esta é a semana do "dêem-me espaço", mas também a semana do "estejam preparados para o que me apetecer", porque o meu estado de espírito tem estado mesmo assim, ora eufórica ora infeliz, ora nervosa ora serena, ora forte ora cheia de fraquezas.


Se me perguntam como estou, não há percentagens que o revelem, porque nem eu própria o sei. Entre o que estou e aquilo que quero estar vão milhões de luz de distância, e como eu não me reconheço em mim, ou se calhar conheço-me cada vez mais, essa questão torna-se numa busca incessante e impossível de responder. Quando tiver resposta, o tempo que passei a analisar o estado de espírito em mim, passa, e aquilo que poderia sentir antes da pergunta, muda quando analiso racionalmente como me sinto. O que senti há um segundo atrás é sempre diferente do que vou sentir e que agora sinto.


Estou bem? Há um bocado acho que sim.



4.6.08

Parabéns

Despi-me das preocupações que não me podiam afligir, não podiam... Programei mentalmente em plena comunhão, sentada com a cara escondida entre as mãos, as preocupações e desalentos, adiando-as para amanhã. Podem esperar. Têm de esperar. O cansaço que suporto em cima dos ombros vai-me permitir dormir sem pensar em mais nada.

Saí da igreja meio despida. Entrei no carro com menos roupa ainda. Cheguei a casa dos meus pais e despi-me por completo. Nenhuma roupa me protegia, nenhuma roupa poderia aconchegar-me tão bem como aquela que vestia. Nada. Eu apenas. E deixei-me levar. Era isto que pretendia... Conseguir de alguma forma me ausentar de tudo o que me fustiga.

Chegou o final do jantar. A mãe foi buscar o teu bolo de anos e a pequena lua disse que queria ir cantar-te os Parabéns ao céu. Cantámos uma vez, quase comecei a chorar, mas a pequena lua com os olhos mais do que nunca a brilhar, fez-me sorrir e festejar. De seguida, cantou sózinha, de uma forma tão doce, no meio de um silêncio de encantar. Não me senti nua, com frio, não pensei em preocupações nem desalentos, senti-me rendida, quente, cheia de amor e com o corpo a brilhar. Porque... o que quero fazer da minha vida, é uma homenagem a ti, à mãe, à minha filha, sempre, contínua.

Parabéns Papi

2.6.08

Luto


Sempre odiei a expressão estar de luto, pela expressão em si e por todos os costumes que a rodeiam. Olhares soturnos, como se de noite escura sem fundo se tratasse. Cores escuras, o preto, que entristessem todos os olhares, já soturnos, e levam-nos a mergulhar num poço de tristeza sem fundo. Continuo a desprezar esses costumes, tentando fazer o contrário. Vesti branco, afasto-me de olhares tristes, sorrio e em passos novos afasto-me de um poço que ouvi alguém falar. Mas descobri que a palavra faz sentido, porque luto com o reconhecimento do que até hoje felizmente me era desconhecido, pelo menos com a intensidade com que sinto. Luto para preservar o sorriso, luto para me reconhecer no meio de algumas lágrimas, luto para me deixar levar em momentos, luto para nunca deixar de acreditar. Porque, afinal de contas, é apenas isso e o amor que me fazem caminhar.


Entretanto... os Jacarandás enchem a cidade de sorrisos, como não poderia deixar de ser. Foste tu, ou fui eu que em sonhos pintei a cidade assim, em homenagem a ti?



1.6.08

Pequeno anjo caído do céu


Olhando para as molduras em cima da secretária do meu bizavô:


Eu - Então, sabes quem é?

Pequena Lua - Nã...

Eu - É a tua avó Bela... sabes quem é?

Pequena Lua - Não...

Eu - É a mãe do teu pai...

Pequena Lua - Ahn?

Eu - Sim... está no céu também como o avô Manuel

Pequena Lua - Com o avô Manuel? Uhm... Um dia vou para ao pé dele... Mas, quando o meu pai for para o céu, quem fica comigo?

Eu - Ó meu amor... mas ainda falta tanto tempo... olha... quando fores velhinha assim como o avô Manuel, já não estaremos aqui... e vais ver, já nem precisas de nós...

Pequena Lua - Preciso! Preciso!

Eu - Pois... eu entendo-te... eu também preciso do avô Manuel e não o vejo... Mas sei que ele está bem.

Pequena Lua - Já não está doente, não é?

Eu - Pois, já não... Agora está bem e feliz... E está sempre aqui, no meu coração e no teu coraçãozinho para nos acompanhar.

Pequena Lua - Ele disse-me "Olá"

Eu - A sério? Que bom... diz-lhe olá também por mim

Pequena Lua - OLÁ AVÔ!!!!!! viste mãe? ele ouviu... :)


Ontem chorei por saudades de festinhas carinhosas cheias de "És bonita" que mais ninguém sabia fazer tão bem. Chorei por achar que mais ninguém me iria fazer sentir daquele jeito... Bonita para alguém....

Hoje uma pequena Lua ao ver-me despenteada e com ar cansado, passou-me a mão pela cara com meiguice e com o mesmo olhar de admiração que o avô fazia disse-me baixinho e com doçura "Estás bonita..."


31.5.08

Miminhos

No meio dos in's parece que renasci
e como uma criança faço questões
não entendo, não me entendem
não quero, mas quero explicações

Já aprendi a custo a gatinhar
Caí... e caio ainda muitas vezes, mas
o rabo fofo encoraja-me a levantar

A única diferença é o sorriso que pretendo alcançar
é as palminhas e miminhos que anseio conquistar

Nesta nova fase... deixei definitivamente de os ganhar...
Não os consigo ver, ouvir, sentir e compreender
Nesta nova fase... sou eu apenas que os tenho de dar...
Sem esperar nada em retorno, apenas esperança e acreditar

29.5.08

Inevitável...

Impossível Sonhar sonhos que há pouco Sonhava
Os sonhos viraram-se do avesso...
Bons ou maus, já não interessa, há sempre um actor principal outras vezes secundário, que faz sempre entradas fantásticas...

Inevitável passear pela rua sem recordar frases ou passagens
Impensável decidir sem me ouvir por dentro e ao lado
Inconcebível um mundo sem brilho, sem um grande amor
Improvável o toque saudoso que afaga, que se sente
Impossível escrever uma qualquer palavra sem destinatário

Imaginável tudo o que preenche de forma inexplicável
que vira, gira ao contrário tudo o que parece inconcebível,
impossível, improvável...

É inevitável...

25.5.08

Para contar, reviver e eternizar

Estou meio cá, meio lá...
Em ambos os lados pairo
Não sei em que lado estou
Não sei o que vejo
Nem para onde vou

Sinto-me demasiado vazia
Mas tudo em pleno me enche
Sei o que me esvazia
Não compreendo o que me enche
Não sei o que sinto
Não compreendo como me preenche

Aceito o que não compreendo
porque preciso de acreditar
mais sempre mais
sem vontade de acabar
em sonhos, em cheiros
em memórias doces
de sol e de ar

Aceito o que me esvazia
por não conseguir controlar
mais sempre mais
sem vontade de acabar
em saudades de momentos
memórias doces
e histórias reais de encantar

Para contar, reviver e eternizar...

Dançamos


E naquele momento
em que perdida a abracei
em que com ela dancei
em que ao fundo te olhei
Sorri


E dançámos embaladas
sem vontade de parar
E a música tocava
Ternurenta
sem vontade de acabar


Dançámos os três
em duas
para nos tornarmos
Num

E voámos!



21.5.08

Não há...


Não há ninguém igual a ti
Que olhe por mim como tu
Que me afague distante a face
Que ande elegante pela rua
Provocando ciumes ao Sol

Não há ninguém como tu
Que me puxa sem mostrar
Que me diz sempre sem falar
Que me mostra vários caminhos
Ajudando-me a caminhar

Não há ninguém assim
Que me faz querer ser mais
Que me faz sentir e acreditar
Que posso fazer a diferença
Mais, muito mais que os demais

Vou então deixando-me ficar
A aguardar-te nos meus sonhos
Para a tua cara, o teu cheiro recordar
Sentindo-te perto, tão perto de mim
Desejanto não mais deixar de sonhar


Não há ninguém assim
Não há ninguém igual a ti
Não há ninguém como tu



Pic: homigl14

18.5.08

Principe Perfeito

Quero acreditar e luto por acreditar em algo inexplicável e superior que te abraça, protege e acarinha. Agarro-me com todas as minhas forças a uma frase:

"Os anjos estão contentes, surgiu ao lado da lua uma estrela tão brilhante que eles não param de a abraçar"
Rita

Encho-me do inexplicável... mas o meu peito parece querer rebentar... não quero sequer imaginar que não há mais nada, mas eu sinto-me no vazio, como se tivessem arrancado parte de mim.

"Enquanto durar, perdurará uma recordação... bôa!"
Dedicatória do pai à mãe no cruzeiro em que se conheceram "Principe Perfeito"em 1973.

13.5.08

Papi

E agora?
Onde está a mão fria, mas sempre quente, que me acariciava a face em gestos ternurentos e de admiração, com olhos azuis brilhantes, cheios, e palavras doces de "És bonita"?
Sentada ali, à frente de um corpo que não reconheço já como teu, a minha cabeça encheu-se de dúvidas, como em criança, quando voltávamos de festas em casas de amigos e te perguntava a ti e à mãe se me tinha portado bem. Portei? É que sabes... houve momentos ontem onde me senti feliz... E se calhar não devia... Não estava feliz por teres partido, mas feliz por tantos se reunirem em homenagem a ti, reencontrando-se ao fim de trinta e muitos anos ou conhecendo-se pela primeira vez. E que bom é ouvir que tu és uma pessoa excepcional... É que é isso que sinto... Bonito. E foi isso que te disse meu principe, na última vez que soube que me ouviste. Nenhuma palavra ou conjugação de palavras é suficiente para descrever aquilo que és. Sei que sabes que tens imperfeições que para mim sempre foram nulas, inócuas, sem valor... para mim sempre foste o culminar do perfeito... e a única palavra que poderia alguma vez te definir seria AMOR. Sinto-me cheia, preenchida com tudo o que me deste, sinto-me forte mas cada vez mais com mais questões... E hoje mais uma vez perguntei-te se me ouviste, se sentes o que sinto, se estás orgulhoso de mim... É que estou tão baralhada, vazia, feliz, triste e com o "E agora?" a martelar-me o coração de confusão ... sempre me enchi de certezas de amor infinito, sei que o teu amor se prolonga com o meu, mas questões maiores elevam-se e não estás aqui para me responder... e eu sinto-me tão vazia... e esforço-me em pensar que de algum lado me velas, mas não sinto o teu abraço, já não posso ir a correr para ti e encostar a cabeça no teu leito para receber festinhas... sinto-me forte mas tão triste... sinto saudades do teu cheiro, da tua voz, do teu sorriso encantador, dos teus olhos brilhantes cheios de vida...
sinto-te em mim mas tão longe daqui...
sinto tanto a tua falta...

Amo-te Pai

11.5.08

Pai

PAI

EU AMO-TE TANTO

7.5.08

Visita-me


Visita-me nesta minha casa inacabada e sempre em ebulição
Onde por vezes as janelas parecem fechadas mas por dentro não
Onde quando escancaradas inundam de luz esta única divisão

Aqui a consciência e a idade da inocência convivem a sós
E sabes? Dão-se...
A consciência organiza o espaço, a inocência dá-lhe calor
A consciência arruma o alvoroço do calor da inocência
O calor da inocência desorganiza o espaço e questiona a consciência do seu valor
Mas a inocência protege-se no espaço e a consciência aconchega-se no seu calor

Visita-me nesta minha casa inacabada e sempre em ebulição
Onde a única porta que nunca se fecha é a do meu coração


Pic:
joneartista

4.5.08

Ponto de interrogação

E pronto!
Mais um ponto de interrogação.
Se tenho dúvidas? Todas...
É sempre mais uma questão...
Sem esperar qualquer grande resposta
Sem querer descobrir o grande mistério
Sem pretender ter sequer uma desilusão
Nem mesmo sequer viver numa ilusão

respiro fundo com atenção
quero saber ou não?
admiro toda a interrogação...
seguida de conclusões certas
sempre sem senãos
para chegar sempre a uma nova questão

No dia em que achar que nada mais me surpreende
No dia que sentir que já não há qualquer questão
Nesse dia... morrerei de solidão