13.11.06

Partidas...

Ei!
Apetecia-me fazer uma partida...
Shiuu!
Anda para aqui...
Para que ninguém nos possa ouvir...
Vamos pensar numa partida...
...
Esconder debaixo das mesas?
... já é banal...
Enfiarmo-nos num armário à espera que alguém abra a porta?
... também já fiz...
Trocar os fios dos teclados?
... uhm... funciona sempre...
Pendurar bolas no tecto?
... não me parece...
Fazer caricaturas do pessoal e colá-las na parede?
... Ainda lá estão as últimas que fiz...
Atar os atacadores?
... Dá muito nas vistas...
Fechar as luzes e escondermos-nos agachados ao pé do quadro?
...uhm... resulta sempre...
Colar o auscultador do telefone?
... Já não tem graça...
Por um rato na floreira e esperar que o jardineiro se assuste?
... Já lá está há três semanas e o jardineiro ainda não o viu...
...
Hoje fazes tu...
Hoje não tenho imaginação...
Mas Lua... o que vou fazer?
Não sei... Inventa!
...

Meia hora mais tarde alguém se assusta.... meia hora mais tarde alguém diz:
Ai!!! Lua foste tu!


Luinha


A minha pequenina lua é tua
Os meus sorrisos são todos teus
As minhas alegrias vêm de ti
O teu sorriso é a minha alegria

A minha grande LUA és tu, sabias?


Imagem: skywalker

12.11.06

Velhice


Antigamente visto como ancião, como aquele que tudo sabe, como o melhor conselheiro, como o pai de todos, hoje o velho caíu no esquecimento...
Não falo daquele velho a jogar dominó em bancos de jardim, não falo desse... falo de todos os velhos que caiem no esquecimento do mundo... e que ficam sós...
Daqueles velhos que deram uma vida inteira pela família e que são abandonados, daqueles velhos que tiveram a infelicidade de ver morrer os filhos e ficaram sós, daqueles velhos que nunca conseguiram ou não quiseram constituir família e sempre viveram sós... Falo destes velhos e penso em nós os mais novos... Nós que não conseguimos ver para além do nosso tempo, que achamos que temos sempre razão, que a opinião de um velho não conta... “Está esclerosado” dizem alguns... “Já não diz coisa com coisa” dizem outros... Vejo a forma como são tratados, a falta de respeito que impera, como se fosse uma forma de afirmação... Não sou velha, mas sinto a velhice de perto. Graças a Deus sei que muitos também a sentem e que percebem a minha preocupação... Mas sei que somos uma minoria... Não será demasiado para uma pessoa aperceber-se da perda das suas capacidades, sentir-se dependente de alguém para continuar a viver, sentir o “será hoje que vou?”.... Não será isto já tão forte? Para quê o abandono, o isolamento, o desrespeito? Sei que a vida que hoje levamos não nos deixa muito espaço para cultivar o amor pelos avós, ou pelos pais, no caso dos nossos pais... sei que muitos não têm outra possibilidade que não seja um lar. Não recrimino, são vidas diferentes e muitas das vezes dificeis... mas o abandono, o desrespeito... não compreendo... e entristece-me demais.
O meu pai é velhinho, tem oitenta e seis anos, e é o meu ancião. Ele é daqueles que tem sorte por ter a família toda à volta dele... mas mesmo assim não se sente feliz porque sente que com a diminuição das suas capacidades é um entrave para todos de quem gosta...
Um dia, tinha eu oito anos, o meu pai teria sessenta e três, íamos a passear na rua de mão dada, quando tivemos de passar pelo meio de um grupo de jovens que estava a brincar com pedras. Ao passarmos pararam de atirar, até que uma rapariga gritou “Atirem pedras ao velho!!!”. Acho que foi a primeira vez que me lembro de sentir raiva! Parei, com lágrimas nos olhos ía virar-me para trás, mas o meu pai apertou-me a mão com força e disse-me baixinho “Sorri, anda em frente e não olhes para trás”... Mais tarde perguntei-lhe porque não me deixou virar... Sorriu na mesma e disse-me “de que te ía adiantar?”. Nunca me esqueci.
Uns anos mais tarde, teria o meu pai setenta e oito anos, vinha do escritório para casa todo elegantemente vestido, aliás como sempre, e caíu das escadas do metropolitano abaixo... uma enfiada de dez degraus.... caíu e estatelou-se no cais da estação... ninguém o ajudou... só depois de todos terem passado e de o cais ter ficado vazio é que o motorista de segurança do comboio (aquele que fica na cabine de trás) se apercebeu e o foi ajudar... o comboio não andou enquanto o meu pai não teve devida assistência... e não andou porque só o motorista se dignou a ajudar... Quando o meu pai chegou a casa todo negro e contou o que se tinha passado a chorar... chorei também... chorei pela indiferença para com o meu pai... chorei pela indiferença pelos velhos.

Ponho as mãos à cabeça e vejo que à medida que o tempo passa tudo está pior...
Pergunto-me se há qualquer coisa que eu possa fazer para mudar esta desevolução...


Meu pequeno tesouro


Em várias fases da minha vida e principalmente em altura de catástrofes naturais ou praticadas pelo Homem, dei por mim em pensar que bens materiais levaria comigo se tivesse de fugir de casa a correr...

Até há uns anos atrás e quando ainda estava a viver em casa dos meus pais não tinha qualquer dúvida... pegava no cofre feito pelo padrinho da minha mãe. Não por ser engraçado, não por ser velho, não por ter significado, mas apenas pelo facto de ser grande e conter todas as cartas que recebi, cartas que nunca cheguei a enviar, fotografias, muitas fotografias... o meu tesouro. Não levaria roupa, joias, walkman’s... não levaria nada... apenas o cofre.

Saí de casa dos meus pais e as coisas a levar passaram a ser diferentes... Levava garantidamente o telemovel para poder saber dos meus pais, levava os meus documentos, levava o único livro que escrevi... e não levava mais nada... o cofre, o meu tesouro, está em casa dos meus pais...

Desde que a minha pequena princesa apareceu os bens a levar voltaram a mudar...
Continuaria a levar o telemovel para saber dos meus pais, levava um agasalho, água e uma ou outra embalagem de comida para que a pequena princesa não passasse por privações imediatas... E o cofre? Já não interessa... Já não tem qualquer significado...

Imagem: Fairy's Little Treasure Box by
MysticBlayde

Chuva


Acabei de descobrir Mariza (sim... só agora...) e estou maravilhada…

“As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade”

Letra: Jorge Fernando
Cantado por: Mariza
Imagem: Where Rain Grows by x-horizon

Princesa III


Hoje a minha princesa voltou a dizer “O pai tem 'pininha', a mãe pipi”.
Perguntei-lhe quem tinha o quê e ela respondeu que os avôs tinham pipi.
Expliquei que os avôs eram meninos logo tinham pilinha.
Pareceu-me que o assunto por hora tinha ficado esclarecido...
Mais tarde quando íamos a sair, perguntou se íamos no carro do pai. Disse-lhe que não, que íamos no carro da mãe por ser mais pequenino... ao que ela concluiu com a pergunta “carro de meninas?”.


Imagem: Little Heroes by alesyira

11.11.06

O meu pequeno quarto


Tenho um quarto crescente visto de cima
Tenho um quarto decrescente visto debaixo
Luminosidade do decrescente?
Igual à do crescente... Trinta e quatro

Para quem me vê de frente é sempre decrescente
Para quem está ao meu lado é sempre crescente

Tenho um quarto de lua marcado
E seja qual for a forma como o vêem
O meu pequeno quarto é sempre cheio para mim


Serpent Knight Project: BG 01
maina

10.11.06

Lua chorona

Só me apetece dizer Caramba!
Caramba porque é que és assim Lua?
Porque choras?
Porque cais?
O que te fere?
O que te doi?
Porque confundes?
Porque não tentas ver?
Porque é que és assim?
Gostas de sofrer?

Caramba lua...
Em vez de redondinha e branca
Em vez de uma calma reconfortante
Pareces um grande novelo de lã!

Caramba lua!
Acorda e vê!
Não vês o bonito que tens?
Não vês?
Abre os olhos e vê!
Não chores,
Não podes!

Caramba lua...
Choras e não sabes porque choras...
Ficas triste e não sabes porquê...

Caramba lua!
Sorri!
Não é o que estás sempre a dizer?
Não é o que gostas de fazer?

Caramba lua...
Sorri...
Sorri para tudo
Sorri para todos
E não chores...
Não chores...

Chorei...



Hoje a tristeza abateu-se sobre mim e pisou-me...
Hoje chorei por desalento, desilusão... por tristeza...
Hoje chorei por tudo
Hoje chorei por nada...
Hoje chorei pelo que não faz sentido
Hoje chorei pelo que não tenho chorado
Hoje a tristeza abateu-se sobre mim e magoou-me

Imagem: tears from the moon
Liek

9.11.06

Mãe Coragem


Mãe,

Não sei quantas vezes pensei em escrever-te... muitas... mas as palavras nunca surgiam como eu sentia...

Sinto que te magoei por ter uma especial predilecção pelo pai... É, e era, o pai isto, o pai aquilo, o pai diz, o pai fez... Tu sabes que sempre o admirei, tive sempre muito medo que ele partisse... pela ordem natural das coisas será assim... e por isso, talvez por isso, sempre me dediquei e manifestei muito mais afecto por ele...

A tua presença sempre presente nunca me levou a pensar que um dia me deixasses, nunca me levou a pensar que sofresses...
Mas sei que sofres...
Sei que sofres por não viveres aquilo que desejavas...
sei que sofres por te sentires presa...
Penso que sofres por achares que gosto menos de ti do que do pai...
Não é verdade!
Em actos até poderias tirar essa conclusão...
mas em AMOR não...

Sempre admirei o pai pela sua postura em relacção à vida e aos outros, sempre o admirei pelas palavras sempre TÃO certas...
Admiro-te a ti MÃE pela tua coragem, pelo teu amor inabalável por todos nós, pela tua inocência tão maior que a minha mesmo quando eu era pequena...
Admiro-te tanto...
até pelas gaffes deliciosas e naïfs que tens...
pelo teu sorriso de menina...
Adoro ver a tua felicidade quando estás rodeada pelos tios ou pelos teus amigos de sempre...
Agradeço a avó amorosa e dedicada que és...
Agradeço a mãe fantástica que tenho.

Preocupo-me quando te vejo a andar de um lado para o outro sem parares, sempre a arranjar qualquer coisa para fazer, como se fosse o último dia da tua vida.... Preocupa-me o teu excesso de organização e a forma como és meticulosa com as tuas coisas e as dos outros... terás tempo para pensar? Ou é isso que queres evitar?

Preocupo-me porque tenho receio que um dia me faltes...
Só equacionei faltares-me há uns meses quando o pai estava no hospital...
Quando me disseste com uma lágrima a escorrer-te pelo rosto e com os lábios a tremerem “O pai está com uma pneumonia... ele disse-me que era o fim...”
Fui buscar forças aonde não as tinha só para te ajudar a levantar e para não te ver chorar... Não consigo ver-te a chorar...
assim não...
apercebi-me que sofres...
e doeu-me tanto...
não me podes faltar...
não concebo a minha vida sem ti....

AMO-TE muito MÃE


Imagem: A Mother's Gift by
ruriko

Se por um instante...

“Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas certamente, pensaria tudo o que digo.

Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.

Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem.
Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.

Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestir-me-ia com simplicidade, deitar-me-ia de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, como minha alma.

Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse.

Pintaria, com um sonho de An Godo, sobre estrelas, um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua.

Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo das suas pétalas.

Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes: amo-vos, amo-vos. Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria apaixonado pelo amor.

Aos homens, provar-lhes-ia como estão enganados ao pensarem que deixam de apaixonar-se quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de apaixonar-se.

A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.

Aos velhos, ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.

Tantas coisas aprendi com vocês, os homens...

Aprendi que toda a gente quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.

Aprendi que quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o torna prisioneiro para sempre.

Aprendi que um homem só tem direito de olhar um outro de cima para baixo para ajuda-lo a levantar-se.

São tantas coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dessa maleta, infelizmente estarei morrendo” (...)
Gabriel Garcia Marquez

8.11.06

Permitam-me...


Permitam-me que salte
Permitam-me que grite
Permitam-me que abrace
Permitam-me que beije
Permitam-me que chore
Permitam-me que ria

Permitam-me tudo sem qualquer julgamento, exclusão ou recriminação...
Fere-me demais a não aprovação
Permitam-me por favor...
a não aprovação inibe a minha loucura


Imagem: Betania's Got Springs by
benihana03

Window In The Skies



“The shackles are undone
The bullet's quit the gun
The heat that's in the sun
Will keep us when it's done
The rule has been disproved
The stone, it has been moved
The grain is now a grove
All debts are removed

Oh, can't you see what love has done
Oh, can't you see what love has done
Oh, can't you see what love has done
What it's doing to me

Love makes strange enemies
Makes love where love may please
Soul in its striptease
Hate brought to its knees
The sky over our head
We can reach it from our bed
If you let me in your heart
And out of my head

Oh, can't you see what love has done
Oh, can't you see what love has done
Oh, can't you see what love has done
What it's doing to me

Please don't ever let me out of here
I've got no shame

Oh, can't you see what love has done
Oh, can't you see
Oh, can't you see what love has done
What it's doing to me

Oh, can't you see what love has done
I know I hurt you and I made you cry
Oh, can't you see what love has done
Did everything but murder you and I
Oh, can't you see what love has done
But love left a window in the skies
Oh, can't you see what love has done
And to love I raphsodize

Oh, can't you see what love has done
To every broken heart
Oh, can't you see what love has done
For every heart that cries
Oh, can't you see what love has done
Love left a window in the skies
Oh, can't you see what love has done
And to love I raphsodize

Oh, can't you see”


U2 em U218 Singles

Imagem: window by cyberci

7.11.06

Criança


Sinto-me uma criança ultimamente. Não sei explicar, mas sinto-me uma criança.

Sinto-me criança ao ler os livros que leio... Em pequena nem me lembro de tocar em livros de fadas, princesas. Não me lembro de devorar livros infantis. Agora ao ler em voz alta os livros da minha princesa sinto que os leio como se fosse para mim.

Sinto-me uma criança ao cantar músicas infantis. Impressionante a capacidade que temos para armazenar tantas músicas na nossa memória... consigo estimar umas quarenta e tal músicas infantis memorizadas na minha cabeça e outras tantas coreografias para as acompanhar.

Sinto-me criança ao desenhar... Desenho casas, flores, bonecos em segundos... Gosto de pintar.

Sinto-me uma criança das poucas vezes que brinco com legos e jogos de encaixar...

Sinto-me uma autêntica criança no parque infantil... A princesa é pretexto para experimentar quase tudo, desde escorregas, baloiços, casinhas de madeira e o mais divertido... a barra de cambalhotas e sobe-e-desce. Há pouco tempo estive junto de uma casa na árvore... o que eu mais queria era ir lá para cima...

Sinto-me uma criança nas brincadeiras, nas palavras, nas travessuras [sorrio]

Sinto-me uma criança ao olhar para o mundo. Ultimamente parece que tenho tantos adultos-crianças à minha volta... não pela maneira de agir... não pela maneira de pensar... apenas pela forma de sentir.

Sinto-me uma criança e sinto-me feliz.

Imagem: Tree House by
squicks

Princesa II


Sou eternamente apaixonada pela minha princesa...
Todos os dias me apaixono mais pelo seu sorriso, pelos seus olhos a sorrirem e a brilharem... pelo seu enroscar no meu colo... até pelo choro de miminho...
Amanhã sei que a vou amar mais que hoje...

Todos os dias me faz sorrir...

Chegar a casa do trabalho é a melhor altura do dia. Toco à porta e oiço ao longe “É a mãe!!!!!! Mãe!!!!”. Aproxima-se da porta “Quem é?” – É a mãe – digo eu , e abrindo a porta me abraça com um abracinho apertado, um beijinho ternurento e tanta alegria...

Já há algum tempo que quando lhe dizemos que a adoramos nos responde “Doro-te Mãe”, “Doro-te Pai” ao mesmo tempo que coloca a mão em cima do seu coração...

Hoje ao brincar com um boneco fez-lhe festinhas, deu-lhe um beijinho doce, e sorrindo disse-lhe “Doro-te bébé” e colocou a mãozinha em cima do peito fofo do boneco.

Durante o jantar e depois de eu lhe ter acabado de ler uma estória da Anita, agarrou no livro e começou a contar a mesma estória ao cão de peluxe que estava em cima da mesa...


Imagem: Ilustração feita por um anjo chamado
Rita

Amigos são anjos

"Friends are the angels who lift us to our feet, when our wings have trouble remembering how to fly... "

A todos os anjos que encontro, a todos os anjos que me fazem sorrir, a todos os anjos que me fazem ver o dia perfeito, a todos os anjos que se aproximam, a todos os anjos que me fazem abrir a porta da minha redoma e que trazem com eles amor, sorrisos, sentimentos e alegria... a todos eles... obrigada por se aproximarem, obrigada por entrarem, obrigada por estarem, obrigada por existirem. Com vocês entro, com vocês estou, com vocês existo. Com vocês e por vocês sorrio...

Imagem: To Good Friends- 1000 Hits :D by
Inuyashafreak337

Espectáculo


"Quando
tu me vires no futebol
estarei no campo
cabeça ao sol
a avançar pé ante pé
para uma bola que está
à espera dum pontapé
à espera dum penalty
que eu vou transformar para ti

eu vou
atirar para ganhar
vou rematar
e o golo que eu fizer
ficará sempre na rede
a libertar-nos da sede
ficará sempre na rede
a libertar-nos da sede

não me olhes só da bancada lateral
desce-me essa escada e vem deitar-te na grama
vem falar comigo como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos jogar

Quando
tu me vires no music-hall
estarei no palco
cabeça ao sol
ao sol da noite das luzes
à espera dum outro sol
e que os teus olhos os uses
como quem usa um farol

não me olhes só dessa frisa lateral
desce pela cortina e acompanha-me em cena
vamos dar à perna como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos bailar

Quando
tu me vires na televisão
estarei no écran
pés assentes no chão
a fazer publicidade
mas desta vez da verdade
mas desta vez da alegria
de duas mãos agarradas
mão a mão no dia a dia

não me olhes só desse maple estofado
desce pela antena e vem comigo ao programa
vem falar à gente como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos cantar

E quando
à minha casa fores dar
vem devagar
e apaga-me a luz
que a luz desta outra ribalta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta"


Letra e música: Sérgio Godinho
Imagem: anaral stock 11 by
anaral

6.11.06

Coreografias


Adoro fazer coreografias na minha cabeça
Adoro ouvir música e imaginar que danço
Que danço para uma plateia cheia de gente
Que danço, danço apenas danço

Vibro com a adrenalina na apoteose musical
Torno essa apoteose numa loucura de movimentos
Faço rewind musical
E danço mentalmente por mais uns momentos

Danço hip-hop, raggae e salsa
Danço em patins e faço piroetas
Danço sevilhanas, merengue e tango
Faço inclusivé danças mais lentas
Do ballet à dança moderna
Da dança do ventre às danças tribais
Can-can, sapateado, swing ou rumba
Riverdance e outras que tais

Desço pelas coxias em curva
Sempre a uma velocidade estonteante
Danço, salto, sobrevoo o palco
Rodopio e termino com um mortal alucinante...

Em todas estas coreografias não há espaço para encores
Não há espaço para aplausos, rosas ou vaias
Em todas estas coreografias só há música, ritmos e cor
Adrenalina, calor e ALEGRIAS

Imagem: Leap-s- by JBB-STOCK

Quando me perco


Quando me perco
busco um abrigo
ou um tecto que não tolha os meus sentidos
E se o teu céu, por ser maior,
cobrir o pranto?
eu vou!

Quando me perco
sigo uma estrela
que não brilha igual
em todo o firmamento.
E se cair para lá das ilhas encantadas?
eu vou!

Se o teu nome não fosse
o do pecado,
ou da benção que o céu
hoje me deu,
nem por montes,
nem por mares
onde o sol nunca nasceu,
perderia o rasto
de um sorriso teu!

Quando me perco
sigo uma voz
que me chama bem do fundo
das certezas.
Mesmo que chegue
como um canto de sereia?
eu vou !

Quando me perco
ou se me encontro,
ou se me der para ser banal
tal como agora,
tudo não passa
da vontade de dizer?
eu estou !

Letra: Luís Represas
Imagem: Follow That Star . by
WickedNox

5.11.06

Reticências

Agora dei por mim a pensar porque é que em quase todas as frases que escrevo acabam com reticências...
Será tique de escrita ou será apenas por ficar sempre tanto por dizer?

Dia e Noite


Todos os dias, durante o dia, penso no que gostava de aqui escrever...
Todos os dias penso em tanta coisa... tanta coisa que poderia escrever...
Todas as noites sento-me aqui...
Todas as noites penso no que pensei durante o dia...
Todas as noites escrevo sobre tudo menos aquilo em que pensei escrever durante o dia...
Todas as noites tudo sai diferente...

Imagem: Night Born Out of Day by lipi

4.11.06

Bola de neve


Por vezes apetecia-me que o mundo fosse como aquelas bolas de neve feitas de vidro e com uma casinha lá dentro...
Apetecia-me agitá-lo, abaná-lo... para que tudo o que é bonito e perfeito viesse ao de cima para que todos pudessemos ver... e pairasse pelo ar lentamente para que todos pudessemos admirar... e quando tudo o que é belo poisasse todos nós lhe dar-mos o devido valor...
Por vezes apetecia-me fazer o mesmo com a minha vida... Agitá-la e abaná-la... valorizar apenas o que é perfeito e ver tudo a harmonizar ao poisar... e tudo encontrar...

Imagem: Kay caged by
Basia-AlmostTheBrave

3.11.06

Viver mais um bocadinho


Já há algum tempo vi um programa na BBC sobre a percepção que as crianças têm em relação à morte. Explicaram que as crianças por volta dos três anos conseguiam mencionar a palavra morte, mas só aos sete conseguiam entender o que ela realmente significava... Colocaram dois miudos de três e quatro anos a passear numa mata e filmaram a descoberta deles... Um coelhinho morto. Os miúdos observaram e comentaram “He’s dead...” para terminarem com “Wake up little bunny”. A segunda filmagem mostrava o mesmo cenário com crianças de sete e oito anos, que ao encontrarem o coelhinho lamentaram o facto de estar morto e o nada se poder fazer...


Lidar com a morte...

Contam-me os meus pais que com apenas dois anos me desmanchei a chorar em pleno almoço de Domingo ao perguntar-lhes “Se vocês morrerem para quem é que fica a casa e o carro?”. Cada vez que me lembro desta frase nem sei em que pensar...

Desde pequena que lido com a possível e próxima morte do meu pai... Pura e simplesmente por ele ser muito mais velho que a grande maioria dos pais...

Por volta dos oito anos tive uma das sensações mais estranhas da minha vida... Sentada na minha cama, o quarto vazio, senti o escuro, o preto, o nada, um vazio, o vacuum... Num sobressalto e abanando a cabeça deixei de o sentir... e pensei... “A morte deve ser assim”... Desde esse momento passei a ter muito medo...

Durante muitos anos senti-me assim... Havia alturas, graças a Deus não muitas, em que chorava só de pensar que poderia perder os meus pais... chorava por pensar que também eu os poderia deixar...

Fui mãe... o medo aumentou.... ver os noticiários é um martírio... estranho mundo este filha...
Fui mãe... comecei a ficar com leves sinais de hipocondríaca... Não lhe posso faltar, não posso falhar...

Este ano... este ano foi complicado... senti mesmo de perto a possível partida do meu pai... fui muito forte enquanto pude e depois caí... Demorei algum tempo a levantar-me, mas com esse tempo aprendi a aproveitar mais a vida e tudo o que ela me dá... Aprendi a gozar melhor dia de hoje e não esperar o de amanhã... A viver um dia após o outro...

Hoje... ou melhor... há umas semanas atrás apercebi-me que esse medo, que existe, é muito menor... sinto que vivo...
Agora ao invés do enorme medo tenho esperança de viver sempre mais um bocadinho... para ver a minha filha a crescer, para viver sonhos, para fazer o ainda tanto que gostava de fazer...
Por isso... todos os dias agradeço, todos os dias sorrio...

The Sky So Big by
ArtistGjurich

2.11.06

Acordar no dia seguinte

“Ainda há quem acredite em alguma coisa mais do que em acordar no dia seguinte...?”

Acredito...
Acredito porque todos os dias me esforço para ver que há coisas que não estão mal...
Acredito porque tenho tido sorte...
Acredito porque tenho de acreditar...

Acredito muito mais no hoje, no agora, do que acordar no dia seguinte...

1.11.06

Flores para Procellarum

Procellarum…
A escolha de um nome…
A primeira hipotese?
Message in a Bottle... fazia todo o sentido, mas também parece que faz sentido para muitos...
Mensagem numa garrafa que anda à deriva no mar
Pensei na lua... na minha lua...
Mar da tranquilidade?
Não, se há coisa que não tenho permanentemente é tranquilidade...
Oceano das tormentas?
Sim, um oceano na minha Lua, que acumula os meus sentimentos, me equilibra e ajuda a amainar só pelo facto de existir... que não me prende as palavras, não me priva de sensações e me alivia o coração....


O Oceano das Tormentas (Oceanus Procellarum, do latim) é o maior dos mares lunares e se extende por 2.500 km de comprimento, no eixo norte-sul da face da Lua, cobrindo mais de 4.000.000 km². Como todos os mares da Lua, ele também é formado de lava basáltica, que cobre toda a superfície com uma fina camada plana de magma solidificado, mas com a peculiaridade, em relação aos outros mares, de ter em sua superfície muito poucas marcas de impactos de corpos celestes, o que lhe dá uma aparência mais lisa, com poucas crateras. Fonte:
Wikipedia

Imagem: Flower Chaos by
PhysicalMagic