16.5.09

As respostas

Todas as palavras que hoje me apetece escrever quase que são obrigadas a passar pelo passador.
Tira as natas, passa o leite... Então, para quê escrever? Se são as natas que me fazem debitar neste blogue com todo o fulgor.

Com o coração e a cabeça em gigante conflito, os dedos continuam a dedilhar o teclado sempre com a interrogação: Publico?

Gostava de entender como me sinto. Se calhar nem é o como me sinto que me deixa desconsertada. Se calhar é o que fazer e não fazer, o ficar mais ou menos aliviada.

Assolam-me questões como prioridades, necessidades da vida. Procura de significados em padrões inquestionáveis que me perseguem. Sinais, tantos, que não entendo...

Tantas perguntas...Sempre com a resposta na ponta da lingua. Mas... as respostas assustam-me pela falta de tomada de decisão e firo-me.


As Respostas:

"Sim. Escreve... e sem passador! Este espaço é teu e não de ti para os outros."

"Sim. Olha para e por ti e segue a tua vida, dá-te espaço e mima-te."

"Sim. Não podes obrigar ninguém a ver o mundo como vês. Todos têm o seu caminho. E se por algum motivo estiveres no meio desse caminho, até o teu silêncio poderá ser importante."

"Sim. O teu coração é gigante, mas não deixes que falte espaço para ti."

"Sim. Não deixes que te façam sentir pequenina. Não o és... de todo"

"Sim. Liberta-te do que te fere. Está apenas e só nas tuas mãos. És prova viva de que o consegues... Sobrevives com brilho à minha ausência fisica e não imaginas o quanto me orgulho disso. Todos os dias demonstras o quanto me amas com o teu sorriso e com o teu amor pela vida. Força meu Amor..."

"Pois se calhar não. Mas não chores... És tão bonita... E se não for nesta, há-de ser numa outra vida."


"E sim, minha filha... Leio-te todos os dias, mesmo quando não escreves... E quando pensas que não estou contigo, toco piano nos teus dedos para te dizer que estou aqui, para te dizer -Não desistas-, para te dizer que te amo, que és a minha vida. Nunca te permitas deixar de acreditar. Porque também eu preciso de ti, para manter-me vivo na tua vida, para continuar a fazer parte do teu caminho, para manter o nosso amor vivo e saudável nos nossos corações, em comunhão e perfeita sintonia como sempre o fizemos."

12.5.09

Quando...

Todos seremos culpados de tudo
Se formos culpados por existirmos
Se a nossa existência é culpa
Então porque existimos?

Se calhar para descobrir
Que Ninguém tem a culpa
Que a culpa somos nós que fabricamos
Para explicar o que não conseguimos

Tem sempre de existir um bode expiatório
Porque assim o exigimos
Porque não nos damos ao trabalho
De procurar a sua origem

Quando te derem um presente, não devolvas, agradece.
Quando te deres, não receies um não, se te deres de coração.
Quando obtiveres respostas não refutes, acredita.
Quando te doer, permite a transfusão de litros de amor
(afinal é o único curativo sem contra-indicações, desde que não contaminado na origem)

O soro da minha verdade
A transfusão de amor contínua
É o elixir da minha vida

11.5.09

Pino

Faz hoje um ano que partiste

Guardei estes dias para ti, para me sentir mais perto de ti, para te homenagear em todos os meus pensamentos mas o mundo quis que a minha mente se entristecesse com tudo menos contigo. O mundo não me deu tréguas, cobrou-me um fim-de-semana de triste, de distância, de incapacidade, de desilusão e de resistência mostrando-me que não sou eu que o carrego, sou sim um dos seus muitos pesos.

Olho para o meu corpo em pé, e percorro-o até aos meus pés. O que falta?
Olho por cima do ombro, e espreito os últimos doze meses. O que fiz?
O que mudou? O que criei? O que não fiz?
O que falta, não sei…
O que fiz, tanta coisa…
O que mudou, o mundo em mim…
O que criei, já me esqueci…
O que não fiz? Ainda vou a tempo de fazer?
E será que vou conseguir?

No ano passado, uns três meses após a tua partida sentia que não havia nada que não conseguisse… Sentia-me capaz de amansar leões, conquistar o mundo unicamente com a minha maneira de ser… Forte cheia de brilho…

Hoje questiono-me. Será que tenho de continuar a lutar ou apenas deixar-me levar?

Sei que estás aí… aliás, aqui… há muito que deixei de questionar…

Ficas desiludido se te disser que hoje me sinto fraca? Não triste, fraca…
Pusessem-me hoje um desafio, desistiria mesmo antes de começar…
Parece que ando acompanhada com uma bomba de ar…

Queria que estivesses aqui fisicamente.
Queria encostar a minha cabeça no teu colo, que me mexesses no cabelo e em silêncio me deixasses assim ficar.
Queria que me dissesses que está tudo bem, que quando me faltassem forças para lutar bastava no teu colo descansar.
Queria que me relembrasses tudo o que me ensinaste neste último ano. Não me esqueci, mas nos últimos meses parece que voltei apenas às aulas teoria, esquecendo-me das aulas práticas.

Queria que me dissesses que o meu coração não está enganado… para ir à luta e não ficar sentada.

Porque neste momento é só isso que me apetece. Ficar sentada a ver o mundo passar.
Porque neste momento algo me diz que tenho de por o meu melhor sorriso e lutar.
Porque estou fraca e com o mundo de pernas para o ar, baralhada, sem saber o que procurar...

Se procuro sentada, ou a andar...

10.5.09

... daqui

Aproximação lenta
Reconhecimento da íris
Permissão de entrada para um abraço

Encontro de olhos
Encosto de testas
Ninho de braços
Almofada de ombros
Mimo de cheiros
Num terno e único abraço

Sentar lado a lado
Encosto de testa no regaço
Um beijo de esguelha na testa
Que se fica, prolonga
de olhos fechados
Enchendo de beijos, de abraços
todos os pensamentos
Afastando por momentos
todas as guerras
Apaziguando no silêncio
todos os combates

Com mimo
Sem necessidade de permissão
Um aninhar no colo
Brincando em silêncio
Em carícia
fios de cabelo
Contornando em reconhecimento
de olhos fechados
maçãs do rosto
Sobrancelhas, recorte de lábios
Velando por um sono
Em paz, aninhado, protegido, descansado…

Abraço-TE...

9.5.09

Céu estrelado

A duas mulheres cheias de garra
Que resolveram partir no mesmo dia
Que mostraram ao mundo o que é coragem
Que a vida se faz de sorrisos e de alegria

Mesmo quando a vida se torna madrasta
Relembrando-nos nos nossos maus momentos a sua energia

Brindo às duas…

Por nos relembrarem o que é lutar
Por nos mostrarem o que é importante
Por serem bonitas e gigantes

A vossa estrela brilhará para sempre no coração de quem vos ama

8.5.09

(continuação) ou não?

… é porque se calhar não era para escrever…
Certo?
O que vi e senti, foi para mim e não para os outros.
E até mesmo isso, de certo não quererias que tivesse visto ou sentido.
Então porquê partilhá-lo?
Certo?

A ausência de vontade de escrever, foste tu…
Para que não me pudesse arrepender por corromper a tua imagem…
Aquela imagem que por amor abraço mesmo com dor.
Aquela imagem que mais ninguém compreenderia e se prenderia esquecendo o resto da tua vida, todo o teu fulgor.

Sim pai…
Estás certo, mais uma vez...

Mas acredita… Por muito que me sinta forte e que sinta este último ano brilhante, incandescente de luz e descobertas, olhando-o com um brilho gigante no olhar, cheirando-o intensamente, saboreando-o com mais prazer, tocando tudo como se fosse a primeira vez, como se todos os meus sentidos duplicassem, absorvendo tudo ao par. Por muito que me defenda do estigma do um ano, estes dias moem em countdown até ao dia onze deste mês. Como se estivesse em trabalho de parto… sempre na esperança de que com a passagem destes dias me ultrapasse, renasça outra vez…

5.5.09

Amanhã

Vou fazer como habitualmente faço. Começo com uma série de questões, deambulo em palavras, deixo de me questionar das primeiras questões, que entretanto deixam de ter importância com o aparecimento de novas questões do seu resultado. É nesse momento em que começo a falar contigo, é esse o momento em que perguntando automaticamente recebo a resposta. É nesse momento que me apercebo que as coisas são verdadeiramente simples e que mil perguntas não se resumem a mil respostas, mas sim a uma única resposta. É nesse momento que satisfeita com o resultado me pergunto sempre: Será que fui eu que escrevi? Será que escrevi sozinha?

No outro dia escrevi sobre o limbo, carros funerários e ambulâncias, como se a exorcizar os meus sentimentos, em busca de sossego. Se resultou? Hoje quando uma ambulância passou por mim, achei que sim.

É por isso que hoje escrevo, numa nova tentativa de expor o que me fere, e que me fere faz amanhã um ano. Os únicos momentos do meu pai que me fazem sentir verdadeiramente triste. O primeiro dia dos seus últimos dias antes de partir. Mórbido ou não, é necessário. Relembrá-los com a esperança de me deixarem triste apenas e só mais uma vez. Imprescindível para cumprir a sua sempre vontade: Relembrá-lo bem e feliz.

Entretanto com as mãos apoiadas na base do computador estico os dedos sobre o teclado, olho para o brilho que sai do monitor como se a arranjar coragem para escrever…

Tenho o dedo golpeado por vidros partidos

A Joana, como estará a Joana…

E a tia Maria Helena, como estará…

Vou dar uma volta e já venho…


Volto… não me leio

Escrevo… Já alguma vez mencionei que é no meio de uma divisão supostamente fria, que escrevo? Tenho escritório, espaço na sala, mas é na cozinha que escrevo, trabalho nos meus exceis, organizo as minhas fotos e me envolvo nos meus projectos. Manias…

Vou comer…

Escrevo amanhã...

4.5.09

Quando a chuva passar

"Pra que falar?
Se você não quer me ouvir
Fugir agora não resolve nada...

Mas não vou chorar
Se você quiser partir
Às vezes a distância ajuda
E essa tempestade
Um dia vai acabar...

Só quero te lembrar
De quando a gente
Andava nas estrelas
Nas horas lindas
Que passamos juntos...

(...)

Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela
E veja: Eu sou o Sol...
Eu sou céu e mar
Eu sou seu e fim
E o meu amor é imensidão..."

Ivete Sangalo

3.5.09

Ser mãe


Amor de Mãe

O teu parto não foi simples.
Entre anestesia e cesariana não soube qual seria a sensação de nasceres de dentro de mim. Soube que te tiraram dentro de mim, ouvi o teu choro mais ao longe, apareceste em segundos já embrulhada e com um gorro na cabeça, e mostraram-te sem te porem no meu colo, dizendo-me: “Aqui está a sua filha. É uma bela menina, quase parece ter um mês”. Depois lembro-me de pouco… No recobro, ouvia um choro e disse à enfermeira que era a minha filha. Garantiu-me que não era e teimei que eras tu, e não outra criança como ela afirmava. Saiu da sala e voltou contigo como se carregasse uma toalha de praia enrolada debaixo do braço. Eras tu, cheia de fome… Afastou-me a bata, colocou-te no meu peito e disse-me para te dar de mamar. Perguntei:
- Como?? Não sei como fazer…

E de um momento para o outro já te saciavas, sem eu nada fazer, enquanto te olhava e me perguntava quem eras tu…

Quem eras tu que me fazias ser de uma maneira diferente
Quem eras tu que de repente mudavas a minha vida
Quem eras tu que saíras das minhas entranhas e que me fazias olhar-te, cuidar-te e proteger-te como se não houvesse mais nenhum dia pela frente.

E passaram-se horas, dias, semanas, meses e anos e o olhar com que te olho hoje é mais intenso e mais apaixonado que ontem, que há uma semana, há um mês e há já cinco anos.

A sensação de ser mãe é assim, amar em crescente, mas em constante lua cheia, num brilho intenso de sol que nunca é demais, que nunca queima.

Ser mãe é compreender o amor da nossa mãe, que nos permitiu por nos dar vida, saber e sentir como é grande o seu amor por nós.

Olhei para ti, mãe e perguntei-me se o teu amor por mim era assim, maior…
Olhei para a nossa menina e comentei-me “Que pergunta tão sem sentido”.
Amor de mãe não se explica, não se quantifica, é infinito, maior que qualquer coisa que se explica, maior que o universo.

Para ti mãe, que és a mãe mais bonita, mais dedicada, mais querida e mais forte do universo:

Um FELIZ DIA DA MÃE !!!

30.4.09

I Wished...

Queria poder escrever sem expor tanto de mim…
Mas também queria utilizar todas as palavras que se atropelam na garganta
sem subtis mensagens, as entrelinhas que ainda protegem a minha essência

Queria mandar abaixo este blogue para mais ninguém saber de mim, assim…
Queria ter a capacidade de o guardar vivo e intacto na minha lembrança
Ter a coragem de fazer “delete blogue” com a simples mensagem:
“Fui!!! Obrigado a todos aqueles que me fizeram sentir que faço diferença”

Queria…
Mas mesmo sem a capacidade de nos últimos tempos escrever como me sinto
Não consigo…

Este canto faz parte de mim…

27.4.09

Que dia!

Um verdadeiro teste...
Check-Up gratuito integral
à minha sanidade mental

Relatório:
Com algum desgaste emocional apresenta leves sinais de infantopia, não preocupantes, em conjunto com alguma dislexia no coração, o qual apertado, potencia o aumento da massa encefálica à proporção do quadrado, provocando uma leve contusão no óculo esquerdo que lhe obstroi em grande parte a visão.
É de notar que a causa provável do desgaste emocional se deve à inércia, contrária aos movimentos do seu coração, esta por sua vez contrária aos circuitos electrizantes da razão.

Recomendações:
Descanso do coração e da razão.

(a loucura invade-me)

26.4.09

JAI HO !

"Kab Se Han Kab Se Jo Lab Pe Ruki Hai Keh De
Keh De Ha Keh De Ab Aankh Jhuki Hai.. Keh De
Aisi Aisi, Roshan Aankhe, Roshan Dono heeray, Hai Kya
Aaja Aaja Jind Shamiyane Ke Tale
Aaja Jariwale Nile Aasman Ke Tale
Jai Ho.. Jai Ho!"

A.R. Rahman


Porque todas as palavras têm significado, mesmo que pareçam uma outra lingua ao inicio.
Todos falamos e procuramos o mesmo.
Todos falamos a mesma linguagem.

JAI HO

25.4.09

Se fosse uma árvore

No princípio alimentei-me das duas grandes raízes
Uma sólida e ramificada em tantas sólidas sub-raizes
Outra forte per si mas com a existência de fracas sub-raízes

Cresci, equilibrada na fonte das minhas raízes
Alimentada em amor sem nada sentir falta
Floresci saudável e cheia de cor

De mim nasceram galhos que abraçaram mundo
Alegrias e tristezas, que com cumplicidade se transformaram em troncos
Uns continuam a florescer, avivados por saudáveis galhos
Outros, ficaram corroídos e desvitalizados pelos galhos, descuidados

Quando uma das raízes deixou de viver de água
Mostrou-me que as suas raízes afinal não eram fracas
E com sede de amor, este tronco foi à fonte beber água
Perfurando o solo, cada vez mais fundo
Em perfeitas e sólidas auto-estradas

Deste meu tronco nasceram novos troncos, e não secos galhos
Esta árvore cresceu e floresceu em espelho das suas raízes

Descobri que desta raiz, nunca faltará água
Mas existirá sempre sede...
A sede desta linhagem
A busca incessante de sonhos
O cultivo da arte
A hiper-produção da hormona amor
A procura interior
A descoberta da transparência
Numa linhagem cheia de segredos
Mas fiel condutora do seu principal alimento
Água cheia de bolhinhas…

Bolhinhas cheias de carinho e amor

24.4.09

Click

Quem sabe mil anos se passaram, desde a última vez que nos vimos?
E ainda assim, o toque que deixas quando por aqui passas, mantém-te vivo
Em mim, em nós…

Não te conheço, reconheço-te

Nesta passagem por aqui, por mim, deixas o teu toque, um pouco mais refinado
que mesmo no esquecimento, nos permitirá o click e o reconhecimento daqui a uns mil anos…

Quem sabe?

23.4.09

NOrte

Aos poucos desencontro-te
E no meio de palavras vagas
Sinto que perco…
Já me perdi em tantas máscaras, cortinas e nevoeiro
Que já quase não te vejo…

Dantes bastava um leve afastar de cortinas brancas
A luz por detrás de ti deixava antever em contornos a tua existência
E no meio da claridade…
confundia a minha com a tua sombra
numa luz que era apenas nossa…

Não aguentaste a luz…
e foste fechando cortinas uma após a outra…
tornando a tua divisão cada vez mais invisível, distante

Por amor acreditei que nesse espaço existiria sempre luz
um núcleo de amor fechado, para sempre preservado
Por amor senti que teria de afastar cortinas espessas
uma após a outra, mesmo que pelo meio ficasse sem luz
mesmo que andasse às cegas…
Sabia o caminho e isso bastava

“Norte, vai para norte, onde o sol pouco brilha, mas está sempre mais próximo”

Segui, encontrei a última cortina, branca…
Mas a luz desse lado estava fraca…
Quis afastá-la…
Mas terias que ser tu a desejá-lo
Da jornada a minha luz ficou fraca…
Não me viste, pouco te vi
Apenas a minha sombra de pés a fundir-se com os teus

Refiz o caminho que percorrera
Passei por todas as cortinas que passara
Cheguei ao meu lado e encandeei-me com o brilho do meu corpo
que há muito parecia não saber o que era o ar

Pondero voltar…
Este brilho não é tão intenso como aquele que não consigo deixar de lembrar
Pondero porque pergunto-me…
- Será que voltará a não aguentar?

21.4.09

Ao Escocês

Não escrevo como tu…

Nos detalhes, na exaustão das palavras, na combinação perfeita de metáforas cheias de entre-linhas e múltiplos conceitos. Cada frase, dentro ou fora do contexto, leva-me a buscar-te, encontrando-te sempre de uma forma diferente, um pouco como a idade do teu José, sem idade, ingénuo, puro e ancião. Cada linha impele-me a pensar, filosofando com as mais diversas interpretações.

Bebo cada palavra tua, como se acabasse de sair de um deserto…

E hoje sinto-me arrebatada com o presente que me deste.

Obrigada por me fazeres sentir-te e em ti, sentir um pouco de mim.

19.4.09

Aprender a andar de patins ou uma lição de vida?



Põe-te em pé, firme e amparada. Não te mexas, apenas equilibra-te nos teus “novos sapatos”

Não te pendures em nada. Tens de compreender o teu peso, o teu corpo, assimilar o peso dos teus “novos sapatos” tornando-os um prolongamento de ti. Pendurada não aprendes. Apenas apoia-te em algo firme que te dê a segurança para dares os teus primeiros passos.

Afasta ligeiramente os pés, paralelos um ao outro e deixa-te deslizar um bocadinho. Se não experimentares o deslize, não saberás qual o objectivo que pretendes alcançar.

Pára sempre que precisares. Para te reequilibrares, para começar de novo. Demora o tempo que precisares.

Tenta deslizar com os pés na mesma posição, dando um ligeiro impulso no apoio onde tens a tua mão.

Se conseguires liberta a mão, afasta os braços para te equilibrares e precaveres a provável e eminente queda no chão.

Caíste? Levanta-te… Nunca com o teu peso nas costas. Põe-te de gatas, trava um dos pés, flecte uma perna e ergue-te de braços abertos concentrada nos teus pés. Fixa-te nas tuas raízes, lembra-te como são profundas e fortes e endireita-te.

De novo em pé, afasta ligeiramente as pernas, flecte os joelhos um pouco, lembra-te das raízes, inclina o teu tronco ligeiramente para a frente e desliza de novo.

Pensa… começaste a tua vida deitada, sentaste-te, gatinhaste e só depois, e de alguma quedas valentes é que andaste. Tudo leva o seu tempo… Não desistas…

Agora imagina que tens os mesmos sapatos de sempre. Não arrastas os pés pois não? Caminha, levantando um pé após o outro, como se marchasses. Enquanto tiveres um pé no chão, as raízes prendem-te.

Caíste? Levanta-te de novo… Volta atrás as lições que precisares para ganhares a confiança que perdeste.

Já caminhas? E pouco cais? Faz dos teus pés ponteiros de relógio. Acerta as horas para as dez para as duas. É sinal de vitória, sabias?

Anda como aprendeste. Mas em cada passo que dás, direito ou esquerdo, desliza. Imagina que por debaixo do chão há alguém com um íman, que te quer mostrar como é bom patinar e que cada vez que sentes mais confiança, mais rápido avança, mas nunca mais do que aquilo que desejas.

Quando deres por ti a pensar que já não pensas nos teus pés, que não te forças a posições, e deslizas, já estás a patinar. Se desligares do mundo e deslizares, vais ver que parece que estás a voar.

Quando achares que patinas bem, prepara-te para as mais violentas quedas. O excesso de confiança, o esquecer das regras, obriga-te a voltar ao chão e repensar todas estas lições.
Raízes, aprendizagem, humildade, perseverança, sonhos, flexibilidade, dignidade e sobretudo Amor.

Arrebata-te, arrebata os outros, sente, vive para ti e para os outros…

Faz de cada barreira ultrapassada, cada vitória, não uma nova arma, mas uma nova janela, a amostra da grande luz enclausurada que concentrada apenas em ti queima, mas aos poucos libertada aquece todos aqueles que te rodeiam e lhes dá luz.

… e se deslizares acompanhada com quem mais te enternece… parece que voas… e se caíres ele desce ao teu chão, abraça-te e conforta-te, não se importando por descer, porque desce por amor… e por amor, por ti, mantém-se à tona. Não se levanta sem ti... espera o tempo que precisar até ganhares coragem e força para contigo se erguer e juntos deslizarem de novo.



Pic: effluo

18.4.09

Abraço-te...

Ontem fui ao velório de uma tia, meia-irmã do meu pai, que nunca conheci.

Como a minha mãe ainda estava em viagem, fui sozinha, representando a primeira família do meu avô. Quando lá cheguei estavam os meus tios e primos, da segunda família do meu avô, que apenas conheci no velório do meu pai, há já quase um ano.

Não me senti um único momento só…

Não me senti um único momento como a mais…

Senti-me sempre como se fizesse parte…

Senti que a minha presença, a minha paz, o meu sorriso foi importante…

Senti que a minha presença mudou algo…

Senti-me sugada do amor que transportava… que voltava a mim em carinho e mensagens…

Senti-me elo… força… união…

Senti-me encantada por confirmar, mais uma vez, que somos tão iguais, que partilhamos algo tão maior que se torna indiferente se nos conhecemos há uma vida ou apenas um ano… Carinho e ternura é o bem mais valioso que jorra desta família ao ritmo do bombar de corações…

Hoje na missa de corpo presente o padre começou a falar e pensei para mim “onde é que foram buscar este padre…”, por ser surreal, estranho… Lia as orações sem aquele ritmo a que estamos habituados. Falava de uma forma estranha e estava a achá-lo um pouco chato. Mas no momento em que pos o livro de lado e começou a falar para os presentes, a divagar, a filosofar, chamou-me a atenção… Catolicismo à parte começou a falar da partida, da morte, da saudade, de que as pessoas só morrem quando para nós não têm qualquer valor, só morrem quando nos deixamos de lembrar delas. O corpo é a personificação do palpável compreendido pelos humanos. Não é pelo corpo que nos afeiçoamos…

Independemente destas palavras, as quais ouvi e anui, por ter compreendido há quase um ano, o acto de benzer o caixão com água benta, continua a mexer comigo… como aconteceu com o meu pai. Fechar o caixão e a cremação não me incomoda. A benção mexe…

A missa acabou, os agentes da funerária começaram a tratar do caixão e um primo virou-se para o irmão e disse “Somos nós que vamos levar a tia” e transportaram o caixão até ao carro funerário sobre o olhar calmo e silencioso de todos os presentes. Começou a chover…

Fiquei ali na escadaria, sozinha, em silêncio a absorver toda aquela paz…

Os carros partiram e fiquei lá mais um pouco, junto com tios e primos que não seguiram para o cemitério. Ainda conheci mais um tio, que apareceu dizendo: “Disseram-me que és filha do Manuel”.

No meio da chuva, sem chapéu, comecei a despedir-me…

Ultimamente tenho-me mantido rígida sempre que alguém que mal conheço me abraça, não devolvendo os abraços em sintonia.

Hoje deixei-me abraçar e abracei, arrebatada, desprotegida, por quem supostamente conheço há pouco tempo e com quem apenas estive três vezes em toda a minha vida. No meio de abraços sem lágrimas e com sorrisos das nossas bocas saíram as palavras mais doces e sentidas. Percorreram corpo, bateram no coração, brilharam nos olhos e saíram pela boca em direcção ao meu coração.

O amor sem barreiras é a primeira e grande maravilha do mundo, da vida!

A morte até é bonita… Traz ao de cima todos os mais verdadeiros sentimentos… As máscaras, as falsas defesas desaparecem por de repente parecerem não ter qualquer sentido em algo tão arrebatador como o fim, o início…

Levo para sempre comigo os sentidos abraços, os doces olhares, as mãos cheias de experiência e vida e as palavras sinceras sussurradas ao meu ouvido… de ontem, de hoje, de sempre.

Intenso

Dias intensos!
Apre!
Demasiada emoção, demasiada informação
2 Much...

Argh!
Apetece-me meter num comboio 100 destino e não dar cavaco a ninguém!
Voltar quando sentir saudades, mesmo que as saudades batam já amanhã...

16.4.09

...

Eu não desisto assim
E não vou deixar que o que me doi feche o meu coração
Eu não desisto de mim
Eu não desisto assim

13.4.09

Re-Conhecer

Lembro-me de te ver pela primeira vez pequenino embrulhado em montes de roupa junto da tua mãe ainda na maternidade.

Lembro-me que muito embora me roubasses o titulo da neta mais nova nunca senti ciúmes.

Lembro-me de pensar que tinha mais um amigo com quem brincar. E eras tão giro...

Lembro-me de te deixar cair da escadaria da casa dos avós e te dizer para não seres maricas, para não chorares. Tudo para não ficar de castigo, por te ter pegado ao colo e subido escadas quando todos me tinham dito para não o fazer. Mas eu gostava de te levar para todo o lado comigo...

Lembro-me de já com 5 anos te por no ombro e virar-te de pernas para o ar. Tu não gostavas nada e eu continuava a dizer-te... vá não sejas mariquinhas que é giro. Tudo porque eu adorava que o nosso primo mais velho me fizesse isso. Queria apenas que gostasses...

Lembro-me de pormos malaguetas dos olhos, tudo porque queríamos brincar aos cozinhados com todas as ervinhas e coisas coloridas que encontrassemos no páteo dos avós. Que dor... Ficámos deitados ao lado um do outro um dia inteiro com pachos de agua nos olhos, sem ver...

Lembro-me de a nossa prima cassula crescer e de me aperceber que por vocês serem mais próximos de idade, deixaria em breve de brincar contigo. Triste...

Depois um pouco à força cresci... Acho que foi o meu primeiro desprendimento da vida...

O teu pai partiu cedo e ficaste em silêncio.

Observei-te de longe durante anos, preocupada contigo, pensando no que sentirias, se estarias triste, se eras feliz.

Passaram-se quase vinte anos e tu, mesmo presente e sempre a rires das minhas palhaçadas ou saídas, continuavas distante.

Passaram-se mais dois e o meu pai partiu. Abraçaste-me e em seis palavras deste-me o conforto que poucos conseguiram.

Olhei para ti como "olha... ele cresceu... e está bem", e fiquei feliz.

Foi preciso irmos a Roma para nos reencontrarmos, sentarmos, falarmos sem pudor, abrirmos o peito e conhecermo-nos muito para além das memórias de infância.

No Natal ficámos horas a falar, e mais tempo houvesse, mais horas falaríamos. E cada vez mais senti que mais te conhecia, que mais gostava de ti.

Mas ontem via msn surpreendeste-me com todas as tuas saídas...
Olhas para mim com admiração, eu sei, mas eu olho para ti cheia de orgulho, sabias?

Priminho :)

12.4.09

Limbo


Aquela sensação de estarmos no transito e ouvirmos uma sirene de ambulância que nos impele a mexer o nosso carro nem que seja nos pequenos milímetros que nos distanciam dos carros que nos rodeiam…

Essa…

Em que por momentos todos nos desviamos um bocadinho, nos esquecemos da violência e falta de paciência no trânsito, em que o coração aperta e acelera na esperança de termos ajudado nem que seja num milionésimo de segundo alguém que necessita.

Essa sempre mexeu comigo…

Demasiado humana, intensa, sei lá… Quero acreditar que todos somos assim.

Sei que tudo está bem…
Sei que tudo está como deve estar e que o meu pai está bem.
No entanto existem momentos que fazem o meu coração acelerar e recordar momentos tristes.

HOJE EXPIO-OS!
(com a sua licença)
Pode ser que ao escrevê-los para a próxima seja diferente...

Caio em mim se estiver na Avenida da Liberdade e vir uma ambulância a passar. Lembra-me doces almoços interrompidos por uma sirene quinze dias depois da partida do meu pai. Onde parava de falar e me abstraía pensando que o meu pai tinha percorrido aquele caminho tantas vezes de ambulância em direcção ao Hospital de São José.
Caio sempre que percorro a Radial à sexta-feira à noite em direcção à casa dos meus pais. Lembro-me das viagens alucinantes em direcção à casa dos meus pais, sempre que a minha mãe me ligava, quase sempre por volta das onze da noite, a dizer que tinha chamado o INEM.

Páro e fico apertada quando chego à rua dos meus pais de noite e vejo uma ambulância parada.

Quando estas duas últimas coincidem (que já aconteceu) o resto da noite é tremendamente para dentro. Sem dor, mas estranho e intenso.

Apercebo-me hoje que falo da morte como partida, sem qualquer pudor ou receio. Falo não com alegria por respeito a quem não me percebe, mas como uma bênção, uma nova porta, uma janela, uma nova jornada. Sem mágoa ou raiva apenas doçura e saudade. Até a considero bonita quando a vida que partiu, sabe e tem noção que viveu. E sabe… Acredito que todos fazemos as nossas pazes no momento em que partimos… mesmo que a vida não seja longa, mesmo que a partida seja súbita. Como acredito, não sei… Mas acredito, ponto.

Apercebo-me hoje que até a dor, as doenças prolongadas, como a do meu pai, são um processo de paz, de luta interior. Mas neste caso, mesmo acreditando no que escrevo, acaba por me ferir um pouco.

Aceito melhor a partida que a doença. Aceito melhor o fim (e se quiserem acreditar - o recomeço) que o limbo.

Os carros funerários já não me fazem confusão.

As ambulâncias põem-me… “diferente”…



11.4.09

SOLiTUDE

Companhia ou o acto de sentir a presença de
Mesmo assim por escrito, presente
Em companhia à Solidão
Presente no Isolamento, reclusão
Próxima nos momentos de reflexão


Que todas as palavras que brotam de mim, mesmo assim, apenas por escrito, nos aproximem, e acalmem mesmo que por breves momentos esta Solidão.
Também eu me isolo…
Também eu no meio da confusão e de tudo o que corre com menor perfeição, preciso de estar só…

Mas nunca me sinto verdadeiramente só…
Sinto-te aqui comigo, quando me sento e escrevo…
Sinto que do meu espaço para o teu estas palavras voam…
Que lês os meus sentimentos como ninguém
… e mais do que ninguém me entendes…

Guardo a ternura do teu olhar no meu
O delicado passar do teu indicador pelo meu pequeno nariz…
O teu olhar cheio de palavras não ditas
Os teus olhos brilho de Sol poisados em paz de Lua
Um momento breve de paz em sintonia

Guardo tudo
E nos meus momentos de Solidão
Nunca me sinto verdadeiramente sozinha

Sporting

Digo que a escolha de um clube é feita pelo coração.

Não há razão, explicação lógica, apenas o coração, uma simpatia, um sentir que é ali que pertenço, talvez por historial de família, ou afinidade.

O meu coração é de Leão.

Com uma mãe do Juventude de Évora e um pai Sportinguista, não haveria decerto discussão.
Sempre me dei mais com a família da minha mãe, por serem mais chegados, por terem incutido o espírito de família. A família da minha mãe é maioritariamente Benfiquista. Os meus primos, companheiros de brincadeira em todas as imensas reuniões de família, também. Não me lembro de sequer questionar a minha escolha, mesmo quando era a única no meio de vários netos ferrenhos do Benfica a pertencer a um clube diferente.

Da família do meu pai, sempre fui mais distante. Não por questões de coração, porque sempre senti uma grande ligação e carinho, mas por não existir aquilo que me unia à família da minha mãe, o espírito de família, a necessidade de reunião. Esta família, que viveu no início do século XX na Avenida da República, era maioritariamente Sportinguista. E se houvesse alguma dúvida da escolha, o meu primo direito Fernando Vaz, eliminou qualquer indecisão no momento em que ingressou no Sporting, o seu clube de coração. Começou como treinador-adjunto de Cândido Oliveira no Sporting, passou pelo Belenses, Setúbal, Guimarães, Braga, FC Porto, Sporting novamente, Setúbal, voltando ao Sporting novamente para o ajudar a conquistar o titulo de Campeão Nacional numa das mais brilhantes e campanhas da história do Sporting, conquistando na época seguinte a sua terceira Taça de Portugal. Não tenho qualquer dúvida que mesmo que o seu percurso tivesse sido outro, a minha escolha seria a mesma.

Recordo o filme “O Leão da Estrela” como a imagem do futebol saudável, onde todos os jogadores jogavam por prazer e amor à camisola, onde todos tinham uma profissão para além do futebol, onde cada vitória sabia melhor e cada derrota era mais amarga e dolorida porque para além da derrota do clube, os adeptos sofriam pela tristeza dos seus jogadores. Hoje é mais os prémios de jogo, os objectivos de um clube, e os vencimentos que os jogadores têm que os fazem lutar. O amor pelo clube parece não interessar. Por esse motivo tenho uma grande estima por jogadores deste tempo como o Pedro Barbosa (SCP) e o Nuno Gomes (SLB). Pelo amor à camisola…

Sempre fui ferrenha do Sporting e “inteligentemente” simpatizante do Benfica. Tudo o que diga respeito à cidade de Lisboa é bom para mim e obviamente por ter passado quase metade da minha vida rodeada por benfiquistas.

Penso que comecei a desinteressar-me pelo futebol com a abertura do espaço Chenguen, a seguir à primeira vaga (o brilho) das avultadas e galácticas contratações.

No entanto, hoje, sem qualquer explicação, com olhos de águia e sempre coração de Leão, quase nem preciso que me digam de que clube são, a não ser que haja alguma indecisão. Há qualquer coisa que nos distingue, não sei como nem porquê, mas existe.


A minha princesa escolheu ser do Benfica e quando passa pela sua Catedral grita a plenos pulmões o nome do seu clube. Fico feliz por ter feito a sua escolha, mesmo que não seja o meu clube. Não interfiro. É dela. Mas fico mais feliz por ver que quando passa pelo estádio do Sporting também grita (menos entusiásticamente) o nome do meu clube, alheando-se a qualquer trica ou inflamação do grande Derby Lisboeta. Gritando apenas por ser o clube da mãe.

Coração puro Lisboeta.

9.4.09

Vitaminose



15’
Num blogue que tem tudo de mim
Aqui ficam mais 15 minutos de vida

15
O meu número favorito
Do meu aniversário
Do número de turma
Do número de porta
Do dia em vi pela primeira vez a minha filha
Do aniversário da minha mãe
Da mudança de escola
Das memórias de adolescência

15’
Porque 15 minutos num dia preenchem o vazio de 15 dias
15 dias
Porque em 15 dias vazios existem 15 dias cheios de vida

15’
Porque 15 minutos por dia ao SOL, sem protecção, são fundamentais
Dizem que fortalece os ossos, que torna o sistema imunitário mais resistente
Mas para mim, acima de tudo, são um prazer…
Um reencontro com a alma…
Uma paz, uma perdição, um alento
Uma doçura…

Mas confesso que de SOL cometeria um excesso…
Empanturrava-me de doses excessivas
Esqueceria os Quinze minutos aconselhados
E tomava uma Overdose de Vitamina D



Pic: nafee