18.9.07

Intenso é a palavra

É não saber o que pensar
pensar apenas em deixar-me levar
É raciocinar para não sentir
afinal o hoje é o ontem de amanhã
E assim que a poeira assentar
deixar que o sentir tome o seu lugar

17.9.07

Colégio

Não consigo descrever aquilo que senti assim que me sentei no carro.
Os olhos inundaram-se de lágrimas e a voz começou a sair tremida de tanta emoção.
Desde a alegria em chegar ao novo colégio da pequena lua, ao saudosismo de pensar que já foi o meu. Desde a chegada ao parque dos mais pequeninos, com música ensaiada onde, no outro lado, do lado do campo de futebol, os mais crescidos chegavam felizes uns atrás dos outros e a sentavam-se de "perninhas à chinês" e começavam a fazer coreografias com as mãos e com os braços. Pareciam anjinhos com aquelas mãos de criança a abanar e aquele jeito meio doce de trapalhão a balançar. Nos meninos mais crescidos não vi uma única lágrima, mas sim uma enorme alegria por voltar ao Colégio para mais um ano, mais crescidos e para rever os amigos. Tal e qual como eu me lembro. A pequena princesa largou logo a minha mão e foi de imediato balouçar-se freneticamente nos cavalos de baloiço. Completamente alucinada! A reunião dos pequeninos por parte das auxiliares e educadora começou a organizar-se e a minha pequenina ao aperceber-se tocou-me na perna e disse "Mãe... fica só mais cinco minutos...". Não pude evitar o sorriso. Não é que ela saiba o que são cinco minutos, mas sabe o tempo que demoram os meus "mais cinco minutos" para me levantar todas as manhãs. Lá seguiram os meninos para a sala, todos de mãos dadas com a educadora e auxiliares e a minha pequena comigo e com o pai de cada lado. "Não quero ficar aqui sem ti" dizia ela, "quero brincar contigo e com o pai....". Respondi-lhe que a íamos buscar e disse-lhe para ir ver o peixinho no aquário que se encontrava dentro da sala. Não se moveu e continuou a choramingar baixinho. Quando lhe disse "Olha vai ali para a sala para a mãe te tirar uma fotografia com os meninos" lá seguiu e não mais olhou para trás. Tirei a fotografia que me descansou... Num canto a grande maioria dos meninos já alinhados com a ajuda das auxiliares, num outro canto outro menino a olhar para a janela à procura dos pais e em grande plano um abraço ternurento da educadora à minha pequena lua. A ternura e carinho da educadora e a entrega em busca de mimo, abraçada e de pernas entortadas da minha linda princesa. Saí descansada, mas de tal forma emocionada que quando cheguei ao carro, o botão de descompressão activou-se e fiquei lavada em lágrimas.
Perguntei-me várias vezes ao longo do dia como seria que ela estava. E a sensatez descansava-me. Só me faltou contar os minutos para a ir buscar.
E fomos buscá-la e lá estava ela entertida a brincar com legos e a chamar à atenção da educadora para ver a sua obra de arte "Olha.... vês?". Portou-se bem, dormiu a sesta e comeu. Ao lanche lá conseguiu explicar o que era pão bom e lá lhe deram um pão seco, sem qualquer unguento ou acessório. "Bebeu três copos de leite" disse ela! Fez um relato delicioso e detalhado de alguns acontecimentos. Disse que brincou com os bébés. Perguntei-lhe "com quem?" e ela respondeu com a "nova amiga do colégio novo!". Falou da educadora e disse que é amiga dela. Falou dos três escorregas e por fim ao olhar para o canto do olho dela e ao ver que tinha uma nódoa negra perguntei-lhe o que tinha acontecido. Ela que passa a vida a queixar-se dos seus doidois respondeu "ahhh... foi um bébé mais piquinino que bateu em mim...". "Foi sem querer?", perguntei-lhe eu, "foi... ele é pequinino... eu sou grandi...". Sim, de facto ela é a mais alta de todos os pequeninos, mas ainda é o meu bébé...
Estou feliz, por ver que ela está bem.
Espero que seja tão ou mais feliz que eu no nosso colégio.

Porque é LINDO!!!!!!!!!!!!!!!


Ando feita parva...
A abrir diferentes luzes, para ver como muda...
E não é que muda?!?
Adapta-se ao frio e ao quente...
Porque é suave, doce, forte e imponente.

Love U


Pintura: Pólos por Rita Oom

16.9.07

Plágio

O que escrevemos aqui é um diário, um repositório de sensações, sentimentos, máscaras, acontecimentos e ligações. Estamos expostos a gente de coração bom, estamos expostos a gente que age de má fé. Não é isso que nos impede de escrever. Escrevemos sobre o que nos apetece. Como na música todos os leitores interpretam a leitura à sua semelhança. Cada um lê como quer, o que quer e assimila conforme as suas vivências, o seu percurso de vida, os seus receios, os seus sonhos. Podemos encontrar Aquela frase que nos descreve, mas quem a escreveu em forma de auto-retrato é completamente diferente de nós. O que une quem escreve a quem lê é a universalidade de sensações. Plágio de emoções, de sensações não existe, porque no fundo somos todos iguais. Mas Plágio de descrição de emoções, de sensações, é triste. Auto-descrever-se com textos de outro sem referência ao seu verdadeiro autor é triste. Mais triste é quando o plágio é feito com objectivos de vanglorização.
Pergunto-me? Quem o faz, o que sente?
É que é tão fácil escrever o que se sente...

"Ao toque do amor qualquer um vira poeta", dizia Platão.

Afinal, o que é que nos une a todos, o que nos torna em um?

É universal...

Amor Love влюбленность Amore αγάπη Liebe amour liefde

Prolongamento de ti

Adoro a paz que sinto, o não recriminar, o não julgar, apenas sorrir e olhar.
Gosto de falar, gosto de contar estórias e sobretudo relembrar.
A tua neta diz "Quando eu era pequinina eu comi muitas gelatinas" eu digo "Quando eu era pequenina brinquei muito e fui muito feliz. É por isso que hoje, um pouco mais crescidinha continuo a brincar". Falo, conto e relembro para nunca me esquecer do que é importante.
Continuo a errar todos os dias da minha vida. Continuo a tropeçar e a levantar. Não sei qual o meu objectivo principal, mas estou cá e deixo-me andar.
Sim...
Depois de muitas guerras interiores começo a acreditar que uma mão me assenta ao de leve no ombro e não me deixa nunca desistir. Uma mão que não me agride, não me obriga e não me recrimina. Uma mão que por vezes se torna em duas e depois em braços e me abriga nos momentos mais devastadores. Uma mão que me dá toques ao de leve no braço como se a dizer "tem calma". Uma mão que com dedos longos e elegantes me enxuga as malditas lágrimas que por vezes me deixam de rastos. Nunca me caiu uma lágrima de tristeza. Apenas de desespero, de incompreensão, de amor próprio ferido, de nervos e de felicidade. Não me posso queixar.
Acredito que algo me leva daqui para ali. Acredito que algo me protege. Acredito que alguém olha por mim.
E acredito em ti, aqui ou lá. Porque o teu lá estará sempre aqui, sempre que falar, contar e relembrar. Quando sorrir e sempre que para mim olhar.
Entretanto deixa-te ficar para te abraçar

Beijos Papi

Ler para descansar

Cumpri o único objectivo estipulado para as férias.

Ler um livro sem perder horas de sono, sem ficar com a fobia de o terminar, apenas ler para descansar.

Pela primeira vez não fiquei triste por acabar. Não me senti incompleta como me costumo sentir sempre que acabo de ler algum. Tudo porque sim, me envolvi, mas não me tornei dependente e ansiosa de o terminar. Li pelo prazer de ocupar uns breves momentos do dia.

[é bom estipular poucos e simples objectivos e deixar o resto rolar]

15.9.07

Polish

As lindas unhas vermelhas de morrer dos meus pés foram-se.
Pedicure outra vez, que chatice.... :P


De vez enquando a futilidade entretem-me.


13.9.07

Amor à camisola

Estava a colocar as minhas novas plantinhas no vaso (vamos ver se é desta que aguentam) quando comecei a ouvir do cantinho da televisão a algazarra. Porrada (o meu pai sempre odiou esta palavra) em futebol é sempre aquela sensação inexplicável. Fiquei de joelhos à frente da televisão a ver pasmada a cena que se passava. Indescritível, inimaginável, tudo aquilo que não esperava. Sou fã de futebol e do Sporting. O Sporting Clube de Portugal corre nas veias da minha família (da parte do pai) desde sempre. A família morava perto do antigo campo do Sporting e um dos meus primos foi um dos últimos treinadores que levou o clube a vencer o campeonato antes da grande seca. Por ser sportinguista desde cedo aprendi a sofrer e a relevar as perdas de campeonato. Assisti a pelo menos 18 anos de seca o que fez com que em 1999 tivesse chorado de felicidade com a vitória.

Não sei se pela a educação, se pela minha maneira de ser, nunca criei raivinhas futebolísticas. O meu segundo clube é o Benfica e o terceiro o Belenenses.
Quanto ao futebol clube do Porto... depois de ver a claque a gritar "Queremos ver Lisboa a arder!", a simpatia que nutria pelo clube pura e simplesmente desvaneceu-se.

No entanto hoje sigo a primeira liga e a taça à distância. Vejo e por vezes vibro com o grande derby Sporting-Benfica (e vice-versa), vou apanhando os nomes dos novos jogadores e caso me cativem fixo-os, mas já não vejo o futebol com a mesma cadência e entusiasmo de há uns tempos atrás. A não ser com a nossa selecção, hoje já sem o Luis Figo, o Rui Costa e o Pauleta, um trio de ouro pela inteligência e elegância.

Gosto de futebol mas tudo o que gira à volta dele dá-me consecutivas voltas ao estômago. É isso que me afasta. É o julgamento precipitado das pessoas, é a parcialidade, é a rápida passagem do amor para o ódio. E é tudo aquilo que se passa e que não vemos. São as discussões longuérrimas sempre a girar sobre o mesmo tema, as quais não nos levam a lado algum por motivos de parcialidade, de sangue verde, vermelho ou azul. Lá está... o tempo vai passando e vou-me colando cada vez mais aos pensamentos do meu pai. Enquanto que a minha mãe há uns seis anos atrás não percebia nada de futebol (não sabia sequer o que era um fora de jogo) e agora trauteia os nomes dos jogadores de momento do SCP ou do SLB, eu afasto-me. Enquanto a minha mãe comenta os lances mais importantes do jogo eu fico a leste. O meu pai é da geração das bolas pesadas, dos cinco violinos, dos magriços. Mas ainda estava saudável quando começou a desligar-se do futebol. Comigo começou mais tarde... Quero apenas espicaçar o meu coração quando acredito. Como no jogo Portugal x Inglaterra no mundial de 2006. No futebol ultimamente pouco acredito. É impressionante como se odeia o Ricardo e de repente começa-se a amá-lo. É impressionante como o Scolari foi criticado na preparação para o Euro2004 e como saiu em braços no final do campeonato. Mais uma vez, ontem, voltou para o fundo do poço. Sem desculpas, nem acusações ao senhor, já que não vi todas as imagens nem ouvi o Dragutinovic, não o julgo, mesmo tendo ficado triste.
As pessoas parece que se esquecem...

Quase que aposto que se formos qualificados para o Euro e se conseguirmos uma boa classificação no campeonato (os quatro primeiros), o país vai-se encher novamente de bandeirinhas nos prédios, nos carros e gritar "O Scolari é o MAIOR".


Futebol é emoção, é amor à camisola. Eu visto a minha, a de Portugal.


11.9.07

Há dias assim...

Há dias assim.
Podemos ter dias hiper rotineiros, nos quais até nos sentimos confortáveis no meio de todo o marasmo. A sensação de conforto controlado dá-nos uma sensação incrivel de suposta segurança.
Mas também existem aqueles dias inesqueciveis, que acontecem de quando em vez, que nos fazem esquecer todo o cansaço, todos os melindres, todas aquelas coisas que no meio da rotina nos fazem pensar demasiado.
Ando a fugir dos meus pensamentos desapropriados. Tirei férias da cabeça, do cansaço e dos meus sonhos. Ocupo o meu espaço com um não tenho tempo para tudo o que não é apropriado. Só quero descansar e divertir-me. E mais importante que tudo rodeada de tudo o que me eleva e me faz sorrir. Não quero chatices, não quero problemas, não quero mesquinhices. Tudo para o lixo facilmente reciclavel.
Pois bem, afastei-me do objectivo primordial deste post. Os dias inesquecíveis.
Sábado passado foi um dia cinquenta percento inesquecível. Sim... Porque as coisas brilhantes tenderam a cair todas no mesmo dia. Como não tenho a possibilidade de estar em dois sitios distantes ao mesmo tempo, o dia inesquecivel ficou pela metade. Fim-de-semana no Porto para o wedding da Magui concretizado, aniversário da Joana na praia visto por um canudo. Sei que se tivesse a possibilidade de optar entre um ou outro (que não tive) a escolha seria sempre a realizada. Adorei o casamento da Magui, diferente qb de todos os casamentos a que já fui. Foi descontraído sem nunca menosprezar a classe. A maior prova que a simplicidade é sempre a melhor opção. A Magui? Linda de Morrer! Muitas Top-models ficariam arrumadíssimas a um canto com tamanha elegância. O noivo? Como sempre, um charme. O local? Não... os locais. A cerimónia civil em casa foi uma óptima opção. O Copo de Água no Convento de Monchique (convento retratado no Amor de Perdição), ou melhor, o que sobra dele... Lindo! Com uma vista soberba e de cortar a respiração. Depois do Copo de Água e com as sandálias a infernizarem-me os pés, passeio de barco pelo Douro. Tirando a humidade que me embaraçou o cabelo e o vestido de seda a colar-se ao corpo, a viagem foi deliciosa. De facto o Porto é uma cidade de contrastes. E acaba por ser melancólica por tanta história descuidada. É impressionante ver a quantidade de edificios que noutros tempos seriam sumptuosos deixados completamente ao abandono. E ainda me queixo das obras em Lisboa... E a noite lá continuou, desta feita de volta à casa dos noivos. Um fim-de-semana em cheio que terminou com a minha chegada, da Maria e do Miguel, à Consolação com um abraço ENORME e apertado de uma princesa com o fato de banho completamente molhado. A minha consolação de dois dias de distância... A primeira vez distante mais do que um dia desde que nasceu.

Quanto ao aniversário da Joana, aguardo ansiosamente os relatos de tamanha surpresa. Falei com ela ao telefone no próprio dia e estava completamente eufórica. E eu? Roidinha por lá não estar. Tantos amigos de infância e adolescência que iria rever... Os astros não se conjugaram para os ver. Talvez teria alguma razão de ser. Who knows?


Pic: A. Amen

Óbidos

Estranho como os nossos olhos vêem de forma diferente à medida que o tempo passa. Em pequena fui a Óbidos, lembro-me de sentir que tinha gostado, mas nada havia fixado.
Hoje venho encantada. Mistura tudo aquilo que gosto. O antigo, o romantismo, a simplicidade, os grandes casarios. Daqueles sitios que me fazem sentir verdadeiramente em casa, aconchegada e em paz. Provavelmente um dos melhores locais para uma escapadinha de princesa.

Se ssenta Se tenta

Dizer que os olhos não comem é pura mentira.
Por pouco não comi os pratos!
Seriam seis ou sete?

6.9.07

Pequeno, muito pequeno intervalo :P

Estou fora mas nem por isso.
Escrever o que penso o que me percorre tornou-se num hábito dificil de deixar.
Já nem é tanto o vicio de ir à internet fazer pagamentos, consultar o email... é mesmo o vicio de escrever. Bem que ando com o meu Moleskine às costas para anotar tudo aquilo que me surge... mas não é a mesma coisa. Aqui as palavras fluem e parece que não fiz mais nada na vida do que escrever.
Vamos às anotações do Moleskine:
"Escreva o que lhe digo. Daqui a seis anos nada do que hoje vê, do que hoje conhece, existirá". Ora bem! [pigarreio] E se for? Não penso nisso. Farta de desânimo e pessimismo estou eu. E se todos pensarmos assim, até poderá ser uma realidade. Prefiro olhar para a minha pequena princesa [que está encantadora] e acreditar. Até posso ver as coisas menos boas, mas esforço-me todos os dias para fixar as encantadoras. Aquelas pelas quais vale a pena cá estar. E é assim... É com olhos de sonho, olhos de acreditar que a vida tem que se levar. Se assim não for, para que é que servimos? O que é que cá estamos a fazer? Fazemos todos parte de um todo que constantemente se tenta equilibrar, e para isso tem sempre de existir o menos bom e o menos mau. Fico-me pelo bom com olhos de sonhadora.
Como ainda há pouco... Num rewind de entrevistas do hoje falecido Luciano Pavarotti "O mundo actual precisa de coisas boas, positivas" ou "Nunca ajudarei um adulto, sem antes ajudar as crianças. As crianças sofrem com a estupidez dos adultos de hoje, são elas as mais prejudicadas com as guerras". Estou um pouco farta de pessimismo. Começo a olhar em volta e vejo como podemos ser mesquinhos, muitas das vezes sem o sabermos... apenas porque gostamos de falar [demais] e sermos sempre os últimos a falar.
E falando em momentos bons, nada melhor do que conversas com crianças de 3 anos de idade. Ontem, no quarto, num silêncio de noite, começo a ouvir um restolhar de lençois, um sacudir de panos... abro a luz, a pequena Lua irritada com o diacho de uma mosca... Olha para nós "A moxca nã vaí para a casa dela!!" Demos por resolvido o assunto [da pior forma para a mosca] e voltámo-nos a deitar. Voltei aos meus 5 anos... No meio do silêncio, barulhos! E começámos, eu e a pequena Lua, em competição de barulhos. Ora de moscas, ora de roncos, ora assobios, ora zumbidos... tudo com muitos silêncios pelo meio e muitas gargalhadinhas abafadas na almofada. Tivemos que parar... "És pior que ela... Deixa-a dormir..." [Desmancha prazeres!] :P
Beijos! Vou para a beira da piscina dourar!

1.9.07

Fases - reações opostas

E a pequena lua já vai na segunda viragem da sua vida...
A primeira?
Sair do comodismo caseiro para o infantário aos quatro meses. E o que custou! [Mais para mim do que para ela].
A segunda?
Hoje... O último dia de infantário para daqui a umas semanas estar a entrar num novo colégio.
Estou contente pela próxima entrada, mas estou triste pela saída.

Hoje...
Os meus olhos começaram a pestanejar e a lagrimejar por duas vezes, como da primeira vez que saí de casa para deixar a criança no infantário.
Hoje ao ver os olhos da educadora mais meiga da minha princesa, o meu corpo tremeu.
Envergonhada com os meus olhos envergonhados de lágrimas prontas a cair, abracei-a e disse-lhe com a voz a falhar "Obrigada por todo o carinho..." e tive de sair...

Nunca, mas nunca tive problemas em mudar de escolas, de meios... nunca!
Nunca fiquei triste ao ponto de numa saída me cair uma lágrima...
Sempre soube que se ia mudar, nunca seria para pior e que ia-me adaptar.
E de facto sempre me adaptei e por sinal, quase sempre muito bem.
Se não gostava? Era uma fase que iria passar...
Sei que se mudar de emprego [é como uma escola... é uma fase], por muito triste que fique consigo ver sempre na altura que o amanhã é uma nova possibilidade, e o sorriso inunda-me a face...

Mas porque é que sendo assim comigo, me torno no oposto quanto a acção se roda em torno da minha pequena Lua?

28.8.07

Ei...

Vamos dançar?

Agarras-me pela cintura
Pegas na minha mão
Os olhos a cair ternamente
Balançamos timidamente

Mais perto, encostamo-nos um ao outro
Sempre com o olhar a sul, perdido
Os teus dedos dedilham os meus
A tua mão escorrega e envolve-me

E aproximamo-nos mais…

Os nossos joelhos tocam-se
Os nossos olhos cruzam-se
O nosso cheiro mistura-se
O tempo parece que se esquece

E cheios de confiança…
Os passos tornam-se firmes
Deixam de ser ensaiados
Fundimo-nos e fluímos
Num único passo de dança

- Já tínhamos dançado antes?



Pic: Thebernanny

Corro

é que Hoje cheia de vontade de escrever
não o consigo fazer
queria mesmo...
queria escrever
dizer as coisas mais bonitas
entregar o meu coração ao mundo
dizer coisas doces
sussurrar ternurinhas ao ouvido
queria falar
escrever a minha vida
fincar o bico do lápis no papel
Estou aqui...
Este é o meu ponto de partida
quero fechar os olhos
quero deixá-lo deslizar
até onde o sonho me levar
hoje apetece-me encher os ouvidos
amaciá-los com doces melodias
rebentá-los com sonoridades épicas
e deixar-me voar daqui para aí
e voltar...
queria correr, galgar uma montanha
subir, trepar sempre com o topo em vista
correr com cada vez mais pressa de chegar
e cair de joelhos exausta
no cume da montanha mais bela
olhar o céu, o sol, as estrelas
encontrar a lua cheia ofuscada
pela luz intensa dum sol laranja
virar-me
olhar para o caminho que percorri
sorrir e gritar
!ESTOU AQUI!

26.8.07

Eurovisão...


Ainda há pouco, ao ouvir rádio, voltei mais uma vez atrás no tempo.
No meio de um zapping desenfriado por estações de rádio, à procura de uma estação que estivesse em sintonia com o meu estado de espírito, apanhei a música "Eu sei" da Adelaide Ferreira. Não, não faz de forma alguma o meu género, mas não evita que me relembre da febre dos festivais que percorria Portugal inteiro há uns largos anos atrás.
Literalmente, o país parava. As ruas ficavam desertas como hoje acontece quando a selecção Portuguesa joga uns quartos-de-final de uma competição europeia ou mundial.

Lembro-me de ainda pequena, acho que nem oito anos tinha, ter ido para casa de uma tia minha, para vermos o festival numa televisão a cores. Que alegria... mas também, que tristeza... Portugal one Point, Portugal un Point... Penso que foi quando começámos a ter melhores pontuações que nos começámos a desinteressar. É sempre assim... Ganhar sempre não tem piada, deixamos de apreciar verdadeiramente o sabor de uma vitória. Nunca ganhámos, mas por uns tempos deixámos de estar nos últimos lugares...

Consigo relembrar-me de quase todas as músicas que nos levaram à Eurovisão da Canção, até há música da Lucia Moniz. De umas gosto por entrarem facilmente no ouvido, de outras porque pura e simplesmente me agradam.
O Playback do Carlos Paião... Não vi o festival, mas lembro-me de ainda no infantário estar sentada no chão com os meus coleguinhas, como se estivessemos a viajar de carro, e a cantarolar o refrão.
O Depois do Adeus do Paulo de Carvalho... Não vi o festival, estava na barriga da minha mãe... Mas todos os anos por altura do 25 de Abril, essa música tornou-se inevitável, e de longe uma das músicas portuguesas que mais me encanta.

A música da Dina, Amor de água fresca, apenas e só pelos trocadilhos divertidos que fazía com a letra.
O José Cid... Incontornável... nem que seja pela quantidade de vezes que participou e pelo tipo de música festivalesca que cantava. Se tivesse abanado a cabeça como o Stevie Wonder, de certeza que teria ganho um dos festivais.
"Já fui ao Brasil"... não me lembro do nome do grupo, mas era uma daquelas músicas que entrava no ouvido e frequentemente trauteava.
E as nossas Sara Tavares, Dulce Pontes e Lucia Moniz... Diamantes em bruto ainda por polir...

São estes que ficam...

Não me entristece a decadência do interesse pela Eurovisão da Canção, nem pelos Jogos sem Fronteiras, que antes tanto me divertiam (Eládio no seu melhor...). Mas confesso que sempre que oiço uma das músicas esquecidas dos nossos festivais, gostando ou não gostanto dela, a melancolia bate à porta com um sorriso terno de infância.


25.8.07

Sei ou não sei

Não sei...
Ainda há pouco me lembrei
Mas agora esqueci...

Sei que tinha uma ideia
Sei que me ia entreter com qualquer coisa
Sei que não era importante
Mas sei que queria

Não sei...
Ainda há pouco me recordei
Mas já me esqueci...

Sei que o importante está Aqui
Sei que daquilo que vale a pena
Sei que daquilo que me enche
Nunca esqueci

Chuva miudinha

Este cheiro a terra molhada em pleno e inconstante verão...

Amo o sol que me aquece a pele
amo-o mais ainda com uma leve brisa

Mas também amo a chuva de verão que me lava a alma
E amo-a mais ainda quando sem frio fico ensopada...

Sem frio que me gele os ossos, que me faça tiritar
Sem calor que me queime o corpo, que me tire o ar


22.8.07

Has she forgotten?

when did i wake
into this dream
i must have been the only person in the world
who didn't know who she was

but my world would never be the same again
- drive!
when she came int my life
- it's beautiful up here! everything seems so peaceful!
who are you?
- i'm a dancer! i love to dance!
didn't matter... i knew who she was... to me...
Come away with me...
- I love you...
(you must be there tomorrow)
- I don't care about tomorrow...
It's the right thing to do...
- No one can steal our dream... no one...
- Goodbye!

And then she was gone...

Has she forgotten?
i know...
i will not
her kiss
her smile
her perfume


Sem palavras...

21.8.07

Fifuíciu

Avó - Então, foste tirar o BI?
Pequena Lua - Sim... sujou o dedo!
Avó - Então já podes ir para o estrangeiro!
Pequena Lua - Não podi não, só na semana!
(ainda não tem o BI pronto)

Pequena Lua - Mãe... eu era pequenina, o vô comia na cozinha da vó.
(há oito meses atrás o avô ainda almoçava conosco)

Pequena Lua - Vó... o vô tá no hespitali?
(sempre que chega a casa dos avós e o avô está no wc)

Pequena Lua - Mãe, tás a beberi leiti com chocouati?
Eu - Sim...
Pequena Lua - Também bem quero leiti... Quero leiti bom
(leite bom é leite simples e morno, como ela gosta)

Pequena Lua - Mãe... tás a papar pão com mateiga?
Eu - Sim...
Pequena Lua - Também quer... quero pão bom...
(pão bom é pão completamente seco sem nada a barrá-lo, como ela gosta)



E é tudo tão simples, excepto a palavra dificil que é verdadeiramente dificil de pronunciar:
Fifuíciu!


3A8M

20.8.07

O meu Umbigo

Orelhas pequenas e duras como pedra...
Não sei se é de mim, mas em pequenina a minha mãe punha-as sempre bem direitas... Nunca se entortaram e agora, nada as dobra...

Nariz pequeno e direitinho...
Não sei como, sempre meti o dedo onde não era chamado...

Mãos largas e dedos compridos...
O meu pai dizia que tinha mãos de artista... Como se pode ver de artista, não tenho nada, apenas admiração por aqueles que o são...

Umbigo?
O meu... acho-o bonito!





19.8.07

Xô Trash!


Aquilo que me enchia a cabeça, me fazia chorar e me fazia sorrir ficou... num click, temporariamente adormecido. Não me esqueci. Quando me deito o adormecimento acorda, mas como se do meu corpo se tratasse, a minha cabeça roda e tudo volta a adormecer. Não tem existido espaço para a minha cabeça se entender. Sempre que o meu coração bomba, os sentimentos crescem. Sempre que a minha cabeça entra em montanha-russa, o coração palpita, mas os sentimentos doces adormecem.


Só há um sitio seguro onde os sentimentos são sempre bons, o coração bomba e a cabeça esquece... O lugar onde mora a Luinha. Tem ligação dedicada entre o meu coração e esta cabeça tola que por vezes me enlouquece... Linha dedicada, delicada e impermeável a tudo o que é trash!


18.8.07

Something Pretty ou a Conversas de Mim


Pensa em "Something Pretty", toca a tua música, sê verdadeiramente quem tu és. Pensa no que gostas, no que queres. Pensa no que te faz bem, no que te faz sentir mulher. Pensa em ti, trata de ti. Egoísta? Somos todos... Uns mais do que outros, mas somos todos egoístas, nem que seja por momentos.

Afinal, do que mais gostas?
- De amor... De mim para os outros, dos outros para mim e de vez enquando de mim para mim.

O que mais queres?
- Amor dos outros e de mim para mim.

E afinal quem és?
- ... Sou eu... Mas ainda hoje me estou a conhecer...

E o que mais te preocupa?
- Falhar àqueles que gostam de mim. Desiludir....

E costumas fazê-lo muitas vezes?
- Das poucas vezes que me recordo, ou foram mal-entendidos ou foram tão pequenos que já estão esquecidos. E tenho o hábito de me desculpar assumindo que errei. Umas vezes são aceites, outras não... Mas avanço em frente.

E então, afinal porque é que hoje é diferente dos outros dias?
- Porque hoje quero pensar em mim e não nos outros.

Uhm... como te sentes?
- Por um lado penso que passo a vida a pensar como é que as minhas atitudes, actos e decisões podem afectar as pessoas que me rodeiam e por isso, a grande maioria das vezes acabo por não fazer ou agir como mais queria. Por outro lado penso "Ei! É a minha vez!". Estou a por macaquinhos no sotão?

Uhm... Pensa em "Something pretty", pensa em tudo aquilo que amas. Tudo o resto, até pode ferir, mas nada que um penso rápido não trate. Vai em frente, pensa positivo, continua a acreditar no amor e na bondade e no bom discernimento das pessoas. Pensa em coisas bonitas e as mais importantes de todas perserva, cuida e mima. Ama quem te ama e deixa que o amor chegue a ti. Se é a coisa mais importante, nunca o afastes. Tudo o resto, é Peanuts.


16.8.07

Fotografia


A princesa foi tirar o seu primeiro BI. Sorriu para a foto, sujou o dedo e mede 1 metro e 3 centimetros! Está tão crescida!

Upgrade de máquina fotográfica digital! Se a outra, deficiente, já conseguia surpreender e fazer maravilhas, esta vai bater todos os Pontos! Herdei a mania de Máquina Fotográfica em punho do meu pai, mas tenho a sorte de não gastar tanto em rolos como ele o fazia. Gasta-se noutras coisas... Fazendo as contas ao que ele gastou em magníficas máquinas fotográficas profissionais, slides, rolos, filtros, tripés, lentes e objectivas, máquinas de visualização de slides, caixas para slides e impressões de fotografias, chego à conclusão que por muitas fotografias que tire (a vergonha... 14000 em três anos) nunca lhe vou chegar aos calcanhares!


"En la distancia te puedo ver Cuando tus fotos me siento a ver En las estrellas tus ojos ver Cuando tus fotos me siento a ver Cada vez que te busco te vas Cada vez que te llamo no estas Es por eso que debo decir que tu solo en mis fotos estas" (Nelly Furtado e Juanes)

Pic: porcelain-cat

15.8.07

Férias



Férias...


Enquanto conto os dias, semanas, para o meu merecido descanso, faço rewind e recordo-me das minhas melhores férias de sempre.


1988!


Sim, tinha namorado. Ou melhor, não tinha... Tinhamos acabado (Ele) assim que o calor começou a apertar. Calor, hormonas, praia, corpos nus... Enfim! Livro mais do que fechado, logo não interessa.

Foram as férias mais movimentadas! Chegava a casa apenas para deixar a roupa para lavar, receber miminhos, fazer nova mala e estar de saída logo no dia seguinte.

Começou com uma semana no Alentejo, numa quinta de uns amigos da minha mãe, de cujos filhos desde sempre me liguei. Entre piscina, cavalos, bons comeretes, barragem, ski aquático e canoas, não descansei. Mas do que mais me lembro com clareza é do armário da TV onde descobrimos montanhas de doces (after heights a rodos e ferrero Rochê), e dos mergulhos a pique na piscina.

Um dia de pausa... e apanhar a camioneta com o PC e os manos DF em direcção a Alcantarilha!
As maiores tropelias... O ex-boyfriend não pode ir, mas estavam lá todos. As minhas manas de coração (as cicerones), a minha primeira grande paixão não correspondida e a sua irmã (com quem vivi grandes tropelias no caminho de e para o liceu). O que mais me lembro? A partida que pregámos aos meninos (planeada 3 semanas antes na Caparica), onde a C estaria embrulhada com ligaduras cheias de ketchup, por ter ido contra uma rocha. Que tansos... Andaram uma manhã inteira na praia a levá-la ao colo e às cavalitas para todo o lado. E eis que à beira mar todos sentados, o J se levanta a correr para a água e a C também começa a correr.
:P As pessoas que estavam na praia e assistiram à cena, fartaram-se de rir. Que figura...
E também me lembro de virmos a nado dos barcos até à praia e de ter ficado para trás... Não tinha nem colchão, nem prancha, nem pés de pato para me aguentar e estava a nadar contra a corrente... argh! não saía do mesmo sitio. E eis que tal e qual Marés Vivas, a minha primeira grande paixão não correspondida, já na areia, olha para trás, vê-me e vem ter comigo. Tirou os pés de pato e colocou-me nos pés. Salva! Muito embora feliz e grata pelo acto, não me apaixonei pelo meu salvador... O primeiro namorado (ex por motivos de calor) ainda ocupava todo o espaço.

Um dia de pausa depois de uma semana muito quente... e ala para o aeroporto! Primeira viagem de avião e sem nenhum adulto. Fui com a Sofia, a filha dos amigos da minha mãe, onde duas semanas antes tinha estado a passar férias. Londres, colégio... 1 mês! As únicas portuguesas na primeira semana, misturadas entre espanhóis, suecos, alemães, irlandeses, suiços e italianos. Estes últimos fizeram a santa revolução na cozinha, porque a comida antes de eles chegarem... sucked!
Éramos as mais novas e confesso que pela idade e pela diferença de culturas cresci bastante. Agradava-me o Stefan, o alemão, e ele também gostava de estar conosco. Comecei, pela convivência com as suecas (que só não andavam totalmente nuas porque lhes chamavam à atenção) a ver que era demasiado maria-rapaz. Sim, comecei a lavar a cara todas as manhãs e a por creme logo de seguida. Comprei camisolas curtas e comecei a mostrar os ombros e a barriga de forma negligé... Comecei a pentear este meu cabelo esquisito e descobri a espuma de volume. Aprendi que condicionador era amaciador e eu e a Sofia ligámo-nos à Karla e à Lydia (espanholas, a primeira filha de escultores a segunda bailarina). Ah! Ainda no colégio recebi um postal da Bélgica do meu primeiro namorado (ex por motivos de calor), o qual hoje leio e vejo o quão simples é, mas que na altura consegui encontrar imensas entre-linhas (amor cego...). Enfim... muitos dias felizes e de crescimento pessoal (principalmente a nível de imagem) e um dia muito triste. O dia em que disseram à Karla (a amiga espanhola) que o pai estava doente e que uma amiga da mãe a ía buscar ao colégio. Todos sentados no front-yard e eis que chega um táxi tipicamente inglês e de lá sai a amiga da mãe e a mãe. A Karla apercebeu-se logo porque é que a mãe estava ali. Correu e atirou-se para os pés da mãe a chorar. Não sei sequer como me senti... mas fez-me mudar a forma de pensar... o amanhã às vezes pode ser tarde... Não me lembro dos últimos dias do colégio, apaguei a partir daí.

Voltei e a 3 de Setembro, ou será que foi 4? Não, foi 3, era o aniversário do J. Recomecei com meu namorado, que tinha sido ex por causa do calor e que agora por começar a esfrear (setembro...) tínhamos que recomeçar. Durou até ao verão seguinte :P

As manas do meu coração continuam aqui (as três) e o namorado (que foi ex por causa do calor e de novo namorado quando o tempo resfriou e de novo ex por motivos muitos anos depois explicados) é o meu mano e amigo de todos os apertos.

:) Faltam 3 semanas para férias!